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Caso Marielle: Advocacia-Geral da União apura vazamento de informações

Pedido quer apurar se algum agente público vazou informações à imprensa sobre o depoimento do porteiro

Caso Marielle: Advocacia-Geral da União apura vazamento de informações
Caso Marielle: Advocacia-Geral da União apura vazamento de informações
Foto: Fabio Rodrigues Pozzebom/Agência Brasil
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O advogado-geral da União, André Mendonça, determinou na quarta-feira 30 a abertura de um procedimento para apurar a participação de algum agente público no vazamento de informações sobre as investigações da morte da vereadora Marielle Franco e do motorista Anderson Gomes.

No documento, Mendonça destaca que a investigação sobre o assassinato de Marielle corre sob segredo de Justiça, e que a atuação da AGU ocorre considerando que “o referido vazamento foi utilizado para relacionar a pessoa do presidente da República, Jair Bolsonaro, aos possíveis envolvidos no crime sob investigação”.

O AGU citou o artigo 11 da Lei de Improbidade Administrativa (8.492/1992), segundo o qual é vedado ao agente público “revelar fato ou circunstância de que tem ciência em razão das atribuições e que deva permanecer em segredo”.

O documento que regulamenta o pedido foi postado por Jair Bolsonaro nas redes sociais na noite da quarta-feira. O presidente já tinha mobilizado também o ministro Sérgio Moro para pressionar sobre as acusações que envolviam o seu nome. Bolsonaro vem em uma frequência de ataques à Rede Globo e à imprensa pela veiculação da reportagem, que foi ao ar na terça-feira 29.

A vereadora Marielle Franco e seu motorista, Anderson Gomes, foram assassinados em 14 de março de 2018, quando o carro em que estavam foi atingido por tiros na região central do Rio de Janeiro.

Entenda

Na noite de terça-feira 29, o Jornal Nacional, da TV Globo, noticiou que registros do condomínio Vivendas da Barra, e também o depoimento de um dos porteiros à Polícia Civil, deram conta de que um dos suspeitos do assassinato, o ex-policial militar Élcio Queiroz, esteve, horas antes do crime, na casa do sargento aposentado da Polícia Militar Ronnie Lessa, suspeito de ser o executor da ação, que mora no local, casa de número 66.

Segundo o Jornal Nacional, em depoimento, o porteiro informou que Élcio Queiroz anunciou que iria não à casa de Lessa, mas à casa de número 58 do Vivendas da Barra, que é a residência de Jair Bolsonaro no Rio de Janeiro. Ainda segundo o telejornal da Globo, em seu depoimento, o porteiro afirmou ter interfonado para a casa do então deputado federal e que “seu Jair” havia autorizado a entrada do visitante.

Registros de presença da Câmara dos Deputados demonstram que naquele dia o então deputado estava em Brasília, conforme também noticiado pelo Jornal Nacional. Na tarde da quarta-feira 30, o vereador Carlos Bolsonaro, um dos filhos do presidente, divulgou um vídeo em seu perfil no Twitter que indica que o porteiro interfona diretamente para a casa de Lessa, e não para a residência de Bolsonaro.

Em entrevista coletiva, a promotora de Justiça Simone Sibílio, coordenadora do Grupo de Atuação Especial no Combate ao Crime Organizado, do Ministério Público do Rio de Janeiro, disse que não havia compatibilidade na fala do porteiro sobre ele ter ligado para a casa de Bolsonaro a pedido de Élcio Queiroz. A afirmação foi feita com base em perícia nas gravações de áudio do sistema de comunicação interna do condomínio.

*Com Agência Brasil

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