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‘O tiro que matou Ágatha’, por Celso Amorim
…. Não pode ser esquecido ou perdoado. Leia o poema do ex-chanceler Celso Amorim
O tiro que matou Ágatha
não foi uma bala perdida.
O tiro que matou Ágatha
partiu de um policial militar cioso
da orientação superior.
O tiro que matou Ágatha partiu
de quem disse que ia mirar na
cabecinha e errou o alvo.
O tiro que matou Ágatha saiu
daquela “arminha” simulada
com gesto de mão.
O tiro que matou Ágatha partiu
de uma sociedade que não
tolera negros e pobres.
O tiro que matou Ágatha saiu da
pistola na cintura de um deputado.
O tiro que matou Ágatha não
foi efeito colateral do combate
aos narcotraficantes.
O tiro que matou Ágatha não foi
desferido por mão inexperiente.
O tiro que matou Ágatha
já havia atingido Marielle.
O tiro que matou Ágatha não
pode ser esquecido ou perdoado.
Não há anistia para quem
mata uma menina de 8 anos.
Uma menina pobre e negra
que habitava uma favela
e se identificava com
a Mulher Maravilha.
Uma menina que sonhava
sonhos que não conhecemos,
mas que podemos imaginar.
Nós que temos filhos e netas
que julgamos protegidas por
situação social ou limites urbanos.
O tiro que matou Ágatha
não pode ficar impune,
Sob pena de levarmos
para sempre o peso dessa
morte em nossos corações.
A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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