Política
“Impeachment de Dilma foi manipulado pela Lava Jato”, diz Aloysio Nunes
O ex-senador, que votou pelo afastamento da ex-presidente, diz que é muito grave a interferência política feita pela força-tarefa
O ex-senador e ex-chanceler do governo de Michel Temer, Aloysio Nunes (PSDB), afirmou que o impeachmnet da ex-presidente Dilma, o qual ele defendeu, teve ma uma manipulação política pela força-tarefa da Lava Jato em Curitiba e pelo ex-juiz Sergio Moro, atual ministro do governo Jair Bolsonaro (PSL).
Em entrevista concedida à Folha de S. Paulo nesta sexta-feira 27, o tucano diz que essa manipulação da operação ficou provada após a divulgação de mensagens trocadas entre procuradores da operação, obtidas pelo site The Intercept Brasil.
“Eles manipularam o impeachment, venderam peixe podre para o Supremo Tribunal Federal. Isso é muito grave”, afirma Aloysio.
O ex-senador diz que a interferência da operação ocorreu quando Moro divulgou ilegalmente áudios de Lula com Dilma, o qual resultou na suspeição da nomeação do petista para a Casa Civil. “Se Lula tivesse ido para a Casa Civil, não seria capaz de recompor a base política do governo? Lula, que dizem que foi um governo socialista, governou com a direita. Teria rapidamente condições de segurar a base política. Porque o impeachment é um processo jurídico —crime de responsabilidade—, e político”, disse Nunes.
Mesmo reconhecendo que houve manipulação da Lava Jato no impeachmnet, Aloysio não demonstra arrependimento por ter votado pela saída da ex-presidente. “Dilma não conseguiu ter sequer 173 votos a favor dela para barrar o processo de impeachment na Câmara, ficou evidente que ela tinha perdido as condições de governar”, argumentou.
O ex-senador sempre foi um defensor da operação Lava jato e chegou a dizer, em 2016, que nada poderia barrar a operação. Depois dos vazamentos de conversas entre Moro e integrantes do Ministério Público, o tucano mudou de opinião. “Depois das revelações, eu fico profundamente chocado com o que aconteceu na Lava Jato. Acho que o Supremo tinha que tomar providências, uma vez que o Conselho Nacional de Justiça não sei se tomará”, disse.
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