Educação
Universidade de Santa Catarina cancela debate crítico ao governo Bolsonaro
O presidente nacional do PSOL realizaria debate com o tema: ‘A resistência aos ataques do governo Bolsonaro’. Partido alega censura política
A direção do Centro de Ciências Tecnológicas (CCT) da Universidade do Estado de Santa Catarina (Udesc), em Joinville, decidiu cancelar a reserva de um auditório onde aconteceria um debate com o historiador e presidente nacional do PSOL, Juliano Medeiros. O evento estava previsto para esta quinta-feira (19), e tinha como tema “A resistência aos ataques do governo Bolsonaro”.
Na terça-feira 17, a assessoria de comunicação da universidade informou à imprensa que “a palestra foi agendada, sem qualquer permissão ou autorização da instituição”. O PSOL, no entanto, rebate a informação. Segundo o partido, o pedido de utilização do espaço foi realizado com 15 dias de antecedência, no dia em 3 de setembro, conforme procedimento interno da universidade, e inicialmente aprovado.
O PSOL afirma que os organizadores do evento tentaram mediar a questão junto à universidade e, quando a questão parecia resolvida, a direção do CCT informou por telefone o cancelamento do debate, na noite da terça-feira.
“Lamentamos profundamente que o CCT tenha cedido a pressões políticas de figuras vinculadas ao projeto autoritário e antidemocrático instalado em nosso país. Ceder ao assédio e a histeria dos autoritários colabora apenas para fortalecer este espectro político na sociedade. Hoje, cancelam este evento por conta de pequenas questões políticas internas. Não será surpresa se dentro em breve acordarem com um interventor, a exemplo do que vem ocorrendo na Universidade Federal Fronteira Sul (UFFS), em nosso Estado”, publicou o PSOL em seu site.
O presidente nacional do partido, Juliano Medeiros, declarou ser um evidente caso de censura política. “Não há outra forma de descrever. A extrema-direita saiu do armário e acha que pode nos calar. Mas não podem. Lutaremos por nosso direito de difundir nossas ideias custe o que custar”.
O partido afirma que a ação, além de discriminatória, é ilegal, já que lei garante a qualquer partido político a utilização de escolas públicas para realizar reuniões. Ainda cita que no dia 27 de julho deste ano, a Udesc recebeu um congresso partidário num dos principais auditórios da Universidade. “Sob a alegação de ser ‘apartidária’, a direção do CCT de Joinville torna-se, na verdade, partidária: alguns partidos podem utilizar a Udesc para suas atividades, como prevê a lei. Outros, não. O PSOL local já informou que não vai tolerar este ato de censura ilegal e imoral e que vai tomar todas as medidas cabíveis”.
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