Política
‘Nova CPMF’ faz Paulo Guedes demitir secretário da Receita Federal
Marcos Cintra defendia imposto; ministério da Economia diz que projeto de reforma tributária não está finalizado
O Ministério da Economia exonerou o secretário especial da Receita Federal, Marcos Cintra, nesta quarta-feira 11. Em nota, a pasta afirma que o auditor fiscal José de Assis Ferraz Neto assume o cargo interinamente.
Segundo o Ministério, o projeto de reforma tributária do governo ainda não está finalizado. A proposta só deve ser divulgada após aval do ministro Paulo Guedes e do presidente Jair Bolsonaro (PSL).
“A equipe econômica trabalha na formulação de um novo regime tributário para corrigir distorções, simplificar normas, reduzir custos, aliviar a carga tributária sobre as famílias e desonerar a folha de pagamento.”
Marcos Cintra era defensor de um imposto único, na forma de um tributo sobre movimentações financeiras, semelhante à CPMF. No entanto, a ideia provoca embates dentro do Palácio do Planalto.
Em 21 de agosto, o ministro Paulo Guedes confirmou a intenção do governo em criar um imposto federal sobre transações financeiras, para desonerar a folha de pagamentos.
“O imposto sobre transações foi usado e apoiado por todos os economistas brasileiros no governo Fernando Henrique. O imposto tem uma capacidade de tributação muito rápida, muito intensa. Ele põe dinheiro no caixa rápido”, defendeu. “Se for baixinho [o imposto], não distorce tanto [a economia]. Mas essa vai ser uma opção da classe política.”
Porém, no dia seguinte, 22 de agosto, o presidente da República manifestou contrariedade.
“Vou ouvir a opinião dele”, disse o presidente, sobre o ministro. “Se desburocratizar muita coisa, diminuir esse cipoal de impostos, essa burocracia enorme, eu estou disposto a conversar. Não pretendo, falei que não pretendo recriar a CPMF.”
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Depois de anos bicudos, voltamos a um Brasil minimamente normal. Este novo normal, contudo, segue repleto de incertezas. A ameaça bolsonarista persiste e os apetites do mercado e do Congresso continuam a pressionar o governo. Lá fora, o avanço global da extrema-direita e a brutalidade em Gaza e na Ucrânia arriscam implodir os frágeis alicerces da governança mundial.
CartaCapital não tem o apoio de bancos e fundações. Sobrevive, unicamente, da venda de anúncios e projetos e das contribuições de seus leitores. E seu apoio, leitor, é cada vez mais fundamental.
Não deixe a Carta parar. Se você valoriza o bom jornalismo, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal da revista ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Guedes repete ofensa machista de Bolsonaro a Brigitte Macron: “É feia mesmo”
Por CartaCapital
Guedes foi protegido pela Lava Jato em investigação por lavagem de dinheiro
Por CartaCapital



