Sociedade

Justiça suspende mandados de busca coletivos no Jacarezinho

Em manifesto, grupo de juristas criticou o expediente, entendido como sintoma do “apartheid social” vivenciado pelo Brasil

Justiça suspende mandados de busca coletivos no Jacarezinho
Justiça suspende mandados de busca coletivos no Jacarezinho
Desde 11 de agosto, as Forças Armadas e a Polícia Militar realizam uma megaoperação no Jacarezinho
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O Plantão Judiciário determinou, nesta sexta-feira 25, a suspensão imediata do mandado coletivo de busca e apreensão na comunidade do Jacarezinho, no Rio de Janeiro, e em quatro favelas vizinhas. Expedido pela Justiça em 16 de agosto, o mandato coletivo autorizava as forças policiais a entrarem em qualquer casa dessas localidades.

A suspensão foi solicitada pela Defensoria Pública do Estado. De acordo com o órgão, o desembargador João Batista Damasceno aceitou o pedido por considerar que a determinação judicial anterior uma grave violação do direito dos moradores. Além de geograficamente impreciso, o mandado não determinou fato concreto a ser apurado.

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A decisão judicial destaca que o abandono das regras e princípios jurídicos não é permitido em tempos de paz contra os cidadãos, tampouco na guerra contra os inimigos. Para a defensora pública Livia Casseres, do Núcleo de Direitos Humanos, o mandado coletivo trata todos os moradores das favelas como inimigos e adversários do interesse público.

Desde 11 de agosto, as Forças Armadas e a Polícia Militar realizam uma megaoperação no Jacarezinho, após a morte de um inspetor da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) da Polícia Civil. Sete suspeitos foram mortos durante as incursões e, segundo a Defensoria Pública, ao menos três deles não tinham envolvimento com organizações criminosas.

Na terça-feira 22, o site Justificando, parceiro de CartaCapital, divulgou um manifesto contra o expediente, subscrito por mais de 70 juristas, entre eles o juiz Rubens Casara, o desembargador Siro Darlan, o advogado Lenio Luiz Streck e o professor Juarez Tavares, do departamento de Direito Penal da Universidade Estadual do Rio de Janeiro (Uerj).

Jacarezinho 2 Para a defensora pública Livia Casseres, o mandado coletivo trata os moradores das favelas como inimigos

“Infelizmente, naturalizou-se um verdadeiro apartheid social em que poucos conhecem e usufruem do Estado instituído em 05 de outubro de 1988, ao passo que a grande maioria experimenta diuturnamente a combinação do Estado Social mínimo com o Estado Penal Máximo”, diz o texto.

“A vetusta existência de vergonhosos mandados de busca e apreensão coletivos e a prática do pé na porta demonstram que, para muitos, direitos e garantias fundamentais positivados há mais 28 anos constituem, ainda, uma verdadeira utopia e sem qualquer expectativa de real efetivação”, prossegue o manifesto.

* Com informações da Agência Brasil.

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