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Entre o sublime e o trágico

Dichave todas as ramificações sociais enquanto ainda há tempo.

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Tudo me aflige. Porém, ando atualmente aflito com as relações entre as Américas. Falo precisamente da “Terras das delícias” primitivamente conhecida como Ilha de Vera Cruz e do país cujo um dos lemas é “In God We Trust“.

Há tempos não assisto o noticiário da noite, mas tenho escutado discursos de invasão, me atentado a um estado de guerra e o regresso da barbárie. E ainda sim, ignoro as mortes no Sudão para tentar buscar a fundo o sentido da minha própria existência, assim como me foi apresentado no conto de Franz Kafka “A preocupação de um pai de família”.

Eu procuro respostas no prelúdio do conhecimento e tudo que encontro é a síntese que me faz ter o desejo de administrar o medieval e o futurista que andam em um conflito feroz sobre como conduzir as massas. Eu ando agoniado com essa dialética do que pode ser palpável diante do homem comum.

Eu não venho fazer uma crítica direta aos detentores do saber, até porque vejo que é momento de lastimarmos e não de julgarmos, contudo eles não querem a mudança, pois mesmo que sejam pequenas, as mudanças requerem câmbios profundos.

Assim, jamais poderemos transformar a cantora de funk Anitta na versão atual do “Nascimento da Vênus” de Botticelli, pois fundir as fronteiras é afirmar que o cidadão comum pode ser um apreciador de obras clássicas e imagine um grupelho de trabalhadores do campo, discutindo a profundidade do sorriso da obra “A Gioconda”.

Seria rasgar todas as apostilas da Academia de Belas artes e admitir que tudo é arte e todos são artistas, assim como Cecília Gimenez e o seu audacioso Potato Jesus, dito por esse cânone teórico como o suprassumo da pós verdade. Esse “Ecce Mono” que nos impossibilita de conviver em harmonia com a união mais equilibrada entre a natureza e a síntese da perfeição, ou o que chamamos de belo.

Isso é o que justifica a permanência desse controle em não abrir caminhos para outras camadas sociais. Eles sabem o que fazem e eu simplesmente não tenho condições de responder a todos. As relações humanas e a convivência social me obrigam a beber. Por isso, dichave todas as ramificações sociais enquanto ainda há tempo.

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