Política
Bolsonaro insinua que Dilma matou capitão americano na ditadura
Presidente está em Dallas para receber prêmio. Dilma Rousseff nunca esteve envolvida na investigação da morte do capitão
Em viagem aos Estados Unidos para receber o prêmio de Personalidade do Ano, Jair Bolsonaro associou a ex-presidente Dilma Rousseff ao assassinato de um capitão americano na época da ditadura. “Quem há pouco ocupava o governo teve em sua história suas mãos manchadas de sangue na luta armada, matando, inclusive, um capitão – como eu sou capitão – naqueles anos tristes que tivemos no passado”, disse.
O presidente referia-se a Charles Rodney Chandler, que foi morto em São Paulo em 1968 após ação da guerrilha urbana acreditar que ele estava envolvido com a CIA – um vínculo não comprovado. A ex-presidente Dilma Rousseff nunca esteve atrelada ao assassinato de Charles Rodney, que foi pensado pela Ação Libertadora Nacional (ALN) e Vanguarda Popular Revolucionária. Na época, ela integrava outro grupo, o Colina (Comando de Libertação Nacional).
Quando foi eleita, Dilma também foi acusada de estar envolvida ao atentado do quartel do Exército em São Paulo em junho de 1968, que resultou na morte do soldado Mario Kozel Filho. Novamente, o vínculo não foi comprovado.
Bolsonaro também acrescentou que os governos anteriores eram “antagonistas” aos Estados Unidos, e que tinha respeito pela nação e pelos empresários americanos.
Também não deixou de comentar sobre as manifestações contra os cortes da educação, que tomaram o país na quarta-feira 15. “A esquerda brasileira tomou grande parte das universidades e escolas”, afirmou aos presentes no World Affairs Council de Dallas, onde a premiação aconteceu. Anteriormente, o evento seria em Nova York, mas manifestações contrárias fizeram com que Bolsonaro desistisse de viajar à cidade.
No fim, o presidente acabou confundindo o próprio slogan de campanha e se esqueceu de Deus em sua máxima: “Brasil e Estados Unidos acima de tudo… Brasil acima de todos”, disse.
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