Cultura
Bicho solto: A Bahia está viva no novo álbum de Pitty
Álbum de inéditas surge após 5 anos de silêncio da cantora, que busca as origens da terra natal
A roqueira Pitty ressurge transformada após cinco anos de silêncio, no potente álbum Matriz. Eu me domestiquei/ pra fazer parte do jogo/ mas não se engane, maluco,/ continuo bicho solto, canta já nos primeiros segundos do CD, como a querer reescrever sob nova luz uma trajetória iniciada em 2003 sob os auspícios do rock’n’roll e da superficialidade.
Além de ostentar um desejo de reposicionamento, a faixa Bicho Solto é construída sobre sample de Noite de Temporal, de Dorival Caymmi, a indicar que a baiana (radicada paulista) Pitty resolveu também olhar para trás, em busca das próprias raízes.
Filha rebelde da geração axé music, a cantora e compositora surgiu negando a Bahia, o que se reverte em muitos detalhes de Matriz, como em Roda (dividida com a banda pós-axé BaianaSystem), Bahia Blues (eu vim de lá/ e agora eu posso voltar), a brava Noite Inteira (com Lazzo Matumbi, egresso do axé) e Sol Quadrado (com Larissa Luz, voz e pena potentes da geração afrofuturista baiana).
Nessa última, Pitty parece ajustar contas com o famigerado sistema, em versos que fazem pensar no atual presidente da República: Não tem afeto, não tem história/ não tem estrada, não tem memória. Aos 41 anos, Pitty parece descobrir que a percepção do passado, do presente e do futuro é um movimento único, sincrônico.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



