Sociedade
MP lança operação contra esquema de lavagem de dinheiro na Fazenda de SP
Os agentes prenderam dois suspeitos e cumprem 47 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, na Grande São Paulo, no interior paulista e em MS
O Ministério Público de São Paulo deflagrou, nesta quinta-feira 3, uma operação contra um esquema de corrupção e lavagem de dinheiro na Secretaria de Fazenda e Planejamento do estado de São Paulo.
Os agentes prenderam preventivamente dois suspeitos e cumprem 47 mandados de busca e apreensão em endereços na capital, na Grande São Paulo, no interior paulista e em Mato Grosso do Sul.
A Justiça paulista determinou também o afastamento cautelar de seis investigados, a vedação de contato entre os 27 alvos, a entrega de passaportes e a proibição de saída do País.
As diligências resultam da Operação Ícaro, realizada em agosto de 2025, e buscam aprofundar as apurações sobre uma organização criminosa suspeita de atuar no âmbito da Secretaria de Fazenda paulista.
Como funcionava o esquema, segundo os investigadores
O grupo alvo da investigação é suspeito de transformar um mecanismo tributário legítimo em um mercado clandestino, no qual eram negociados não apenas os créditos dos contribuintes, mas os próprios atos administrativos necessários para sua liberação. As vantagens indevidas corresponderiam a percentuais dos créditos fiscais, entre 1% e 10% nos episódios investigados.
A estrutura seria dividida em núcleos público e privado. Profissionais particulares captariam grandes contribuintes, negociariam facilidades e repassariam parte dos honorários a agentes públicos, que, por sua vez, interfeririam na fiscalização e na tramitação dos procedimentos, inclusive para centralizá-los, acelerá-los ou deferi-los.
Um dos suspeitos, preso nesta manhã, é André Weiss, ex-diretor-geral da Administração Tributária de São Paulo. Ele ficou no cargo, o terceiro mais alto na hierarquia da Secretaria da Fazenda, até maio deste ano. Para o MP-SP, Weiss comandava o núcleo público da organização criminosa investigada. Também foi preso o advogado João André Buttini de Moraes, apontado como líder do núcleo privado da organização criminosa.
Segundo os investigadores, o esquema teria alcançado diferentes níveis da administração tributária estadual, desde agentes responsáveis pela execução dos procedimentos até a cúpula da estrutura fazendária. De acordo com os elementos reunidos, um dos alvos teria repassado aproximadamente 13,6 milhões de reais ao então delegado regional tributário do Butantã, Paulo Sérgio Siqueira Prado.
Parte das acusações tem como base uma colaboração premiada de Prado. O MP-SP afirmou que a investigação reúne também, entre outros elementos, documentos manuscritos com registros de divisão de valores, quebras de sigilos bancário e fiscal, relatórios de inteligência financeira do Coaf, dados extraídos de aparelhos eletrônicos e gravação ambiental submetida a perícia oficial.
Estão na mira os possíveis crimes de organização criminosa, corrupção ativa, corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
Procurada por CartaCapital, a Secretaria da Fazenda afirmou, em nota, que, desde a deflagração da Operação Ícaro, trabalha em conjunto com o Ministério Público. Informou ainda ter demitido cinco envolvidos, exonerado um servidor e afastado outros 17 sem remuneração.
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