Artigos
Trompetista Daniel D’Alcântara celebra 35 anos de carreira com trabalho autoral
O instrumentista destaca o improviso musical como elemento importante na música
O trompetista Daniel D’Alcântara já atuou ao lado de artistas do naipe de Milton Nascimento, César Camargo Mariano e João Donato, além de ter realizado turnês, concertos e workshops em diversos países da Europa.
No último dia 11, Daniel, que é de uma família de músicos, celebrou seus 35 anos de carreira no palco do Instrumental Sesc Brasil, no Sesc Consolação, em São Paulo, apresentando-se pela primeira vez no programa como artista principal.
Na ocasião, mostrou um trabalho autoral, acompanhado de Felipe Silveira (piano), Thiago Alves (contrabaixo) e Paulinho Vicente (bateria). O projeto de sua autoria coloca a improvisação como papel importante na composição.
“Quero tocar com grupos que têm essa intenção de improvisar, com criação de melodias instantâneas de acordo com as referências da música”, explica.
Daniel faz parte da quinta geração de instrumentistas de sua família. Ele conta que observou que seu pai (trompetista Magno D’Alcântara) e tios, que foram músicos profissionais, tiveram dificuldade de desenvolver uma carreira solo e foram marcados como músicos de banda.
“Eles participaram do movimento da música instrumental dos anos 1960, mas acompanharam artistas e fizeram trabalhos em orquestras”, diz.
“Quando comecei a tocar, o cenário já não era o mesmo, com um mercado menor. Então, pude centrar mais meu trabalho”.
As aulas particulares que deu de trompete ao longo da carreira foram uma fonte de renda, mas também o ajudaram a reafirmar a carreira de solista.
“A gente vê muito pouco solos e improvisos no meio musical. Criou-se uma regra nisso, com pouco espaço ao instrumentista (na música cantada)”, diz.
Regente da São Paulo Big Band, que desenvolve diversos projetos, Daniel diz que tem conseguido inserir a música instrumental em diversos gêneros, com apresentação ao lado de artistas como João Bosco, Rosa Passos, Vanessa Morena, Ivan Lins e Péricles.
“A importância está em colocar o público desses artistas em contato com a big band. A gente tinha muito isso entre as décadas de 1930 e 1950, quando os artistas eram acompanhados por orquestras e big bands. Quero trazer isso de volta”, afirma.
O instrumentista tem hoje feito uma pesquisa em torno do samba para identificar músicas do gênero que permitam improviso, para se tocar de forma diferente o ritmo.
“Essa possibilidade de descobrir novos caminhos é o que mantém a música viva”, afirma. O artista tem intenção de levar o show do Instrumental Sesc Brasil para o estúdio, registrando em álbum a experiência sonora, tendo a improvisação como elemento de criação importante.
A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
‘Bicho Pedra Gente’: Lucina se junta ao poeta arrudA em álbum sensível e intimista
Por Augusto Diniz
Gabriel Andrade, do Coala, vê o mercado de festivais ainda em acomodação
Por Augusto Diniz
Incansável, Juliana Linhares transforma a estafa em energia no Sesc Pompeia
Por Augusto Diniz e Thais Reis Oliveira



