Política

Flávio diz se inspirar em modelo de Bukele em El Salvador e afirma que Brasil ‘tem pouco preso’

Declarações foram dadas após candidato à Presidência do PL se reunir com o ministro da Justiça e Segurança Pública do país, Gustavo Villatoro, em São Paulo

Flávio diz se inspirar em modelo de Bukele em El Salvador e afirma que Brasil ‘tem pouco preso’
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Charles Vieira/Divulgação Campanha Flávio Bolsonaro
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Candidato à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro (PL) afirmou neste domingo 30 que o Brasil deveria ter mais pessoas presas após participar de um encontro, em São Paulo, com Gustavo Villatoro, ministro da Justiça e Segurança Pública de El Salvador.“Tem pouco preso no Brasil. Tinha que ser mais, só não tem mais porque a legislação é frouxa”, disse o presidenciável após a reunião, realizada em um hotel no centro da capital paulista.

O Brasil, no entanto, tem uma das maiores populações carcerárias do mundo: no ano passado, o País registrava 964.074 pessoas privadas de liberdade, segundo dados da Secretaria Nacional de Políticas Penais (Senappen). O número representa um crescimento de 6% em relação a 2024.

Uma das bandeiras de campanha de Flávio é a criação de 500 mil vagas em presídios durante quatro anos, além da construção de cinco unidades federais de segurança máxima em um complexo que o candidato chama de “Treva”. A inspiração, segundo o filho de Jair Bolsonaro, vem do Centro de Confinamento do Terrorismo, o Cecot, megapenitenciária construída por Nayib Bukele para abrigar integrantes de organizações criminosas.

“Lá [em El Salvador] conseguiram implementar um dos maiores e mais eficazes resgates de soberania e devolver a segurança pública para o povo deles, o povo salvadorenho”, explicou o candidato a jornalistas depois do encontro. “Então, é uma experiência que obviamente é possível ser inspiradora para nós aqui no Brasil”.

O modelo salvadorenho, porém, foi implementado em meio a um regime de exceção que permanece em vigor desde março de 2022. A medida, aprovada pelo Congresso local, restringiu garantias constitucionais e permitiu detenções em massa sob a justificativa de combater as gangues.

Organizações internacionais de direitos humanos, como a Human Rights Watch e a Anistia Internacional, denunciam detenções arbitrárias, tortura, mortes sob custódia e outras violações cometidas durante a política de segurança de Bukele. O governo salvadorenho nega as acusações e atribui à estratégia a forte queda dos homicídios no país.

Flávio ignorou as denúncias ao apresentar El Salvador como referência. Durante o encontro, segundo o candidato, Villatoro também afirmou que o modelo poderia ser aplicado no Brasil. “Ele falou: ‘Nós fizemos em El Salvador, que é um país pequeno, é verdade, mas muito pobre. Se vocês são um país grande e têm muitas riquezas, não tem explicação para que as facções criminosas continuem dominando os territórios’”, relatou.

O ministro salvadorenho não falou com a imprensa porque, segundo a equipe de Flávio, o governo de seu país restringe as declarações públicas durante o período eleitoral.

El Salvador tem cerca de 6,4 milhões de habitantes e mais de 100 mil pessoas presas. Em termos proporcionais, o país apresenta uma das maiores taxas de encarceramento do mundo. O governo Bukele transformou a política de segurança em uma de suas principais vitrines, com operações de grande escala contra as gangues e uso extensivo de prisões. Ainda assim, líderes da extrema-direita brasileira dizem se inspirar no país latino quando o assunto é segurança pública.

Além de Flávio, a agenda em São Paulo também reuniu seu companheiro de chapa Alfredo Gaspar, o ex-juiz Sergio Moro, que concorre ao governo do Paraná, Guilherme Derrite (PP) e André do Prado (PL), postulantes ao Senado por SP, e o candidato a deputado federal Gil Diniz.

A reunião durou cerca de uma hora. Trechos da conversa foram gravados e devem ser utilizados na propaganda eleitoral do presidenciável na televisão nos próximos dias.

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