Do Micro Ao Macro
Sudeste e Nordeste dividem liderança das GovTechs no Brasil
Levantamento do Observatório Sebrae Startups mostra as duas regiões quase empatadas na concentração de 3.664 empresas voltadas ao setor público
Sudeste e Nordeste dividem, quase empatados, a liderança na corrida das GovTechs no Brasil. O Sudeste concentra 1.180 CNPJs, o equivalente a 32,2% do total, enquanto o Nordeste soma 1.168, ou 31,9%, segundo mapeamento do Observatório Sebrae Startups. Juntas, as duas regiões respondem por 64% das 3.664 startups que declaram atuar no modelo GovTech, oferecendo soluções de tecnologia para o setor público.
A distância de apenas 12 CNPJs entre as duas regiões chama atenção porque rompe com o padrão de concentração no eixo Sudeste-Sul, historicamente dominante no ecossistema brasileiro de startups. A região Sul aparece na sequência, com 656 empresas e 17,9% do total, seguida pelo Centro-Oeste, com 369 (10,1%), e pelo Norte, com 283 (7,7%).
O levantamento tem como base dados de empresas cadastradas na Plataforma Sebrae Startups e traça o perfil do setor de GovTechs no país. Software é o produto predominante, presente em quase metade das startups mapeadas, com 49,1%, e os números mostram um ecossistema ainda concentrado em estágios iniciais: 42,2% das empresas estão em fase de validação, e apenas 2,4% atingiram escala.
Para Paulo Renato Cabral, gerente de Inovação do Sebrae Nacional, o setor público movimenta bilhões de reais em compras todos os anos e enfrenta “uma demanda crescente por soluções tecnológicas”. Segundo ele, isso abre espaço para as GovTechs, mas exige que as startups compreendam a dinâmica das compras públicas e estruturem processos comerciais compatíveis com as exigências do poder público.
1.180 CNPJs · 32,2%
1.168 CNPJs · 31,9%
656 CNPJs · 17,9%
369 CNPJs · 10,1%
283 CNPJs · 7,7%
Total de 3.664 GovTechs mapeadas · Fonte: Observatório Sebrae Startups
GovTechs concentram operação em software
Entre as 3.664 empresas mapeadas, a fase de validação reúne o maior grupo, com 42,2% do total. Na sequência aparece a tração, com 24,9%, etapa em que já há crescimento de receita e clientes recorrentes, seguida pela ideação, fase mais inicial, com 21,7%. Apenas 9,3% das GovTechs estão em crescimento estruturado, e 2,4% chegaram à fase de escala.
Quanto ao tipo de solução, o predomínio de software é evidente: 49,1% das empresas desenvolvem principalmente plataformas digitais. Serviços aparecem em segundo lugar, com 31,9%, seguidos por produtos físicos (10,2%), conteúdo (3,47%), hardware (3,3%) e outras categorias (2,3%). Quase metade das startups adota assinatura recorrente como modelo de negócio, com 46,7% optando pelo formato SaaS. Vendas diretas somam 22,1%, licenciamento responde por 9,2% e modelos transacionais ficam com 7,7%. A estrutura societária tende a ser enxuta: 49,7% das empresas têm de dois a três sócios, e 28,1% operam com um único fundador.
São Paulo domina ranking municipal e estadual
As soluções das GovTechs se concentram em três áreas principais: tecnologia da informação lidera com 15,7% das empresas, seguida por saúde e bem-estar, com 14,1%, e educação, com 13,8%. No recorte por cidades, São Paulo lidera com folga, somando 319 CNPJs de GovTechs. Recife aparece em segundo lugar, com 148 empresas, seguida por Florianópolis, com 119, Rio de Janeiro, com 102, e Brasília, com 100. Fortaleza e Teresina empatam com 96 CNPJs cada, enquanto Belo Horizonte, com 84, Porto Alegre, com 79, e Natal, com 75, completam o top 10.
No recorte estadual, São Paulo concentra 18,7% do total nacional, com 685 CNPJs. Pernambuco aparece em segundo lugar, com 7,5% e 276 CNPJs, seguido por Santa Catarina, com 7,4% e 271 CNPJs. Minas Gerais e Rio Grande do Sul empatam, com 6,3% cada, o equivalente a 231 e 229 CNPJs, respectivamente. Rio de Janeiro soma 4,6%, com 170 CNPJs, e o Paraná fecha a lista com 4,3% e 156 CNPJs.
Poucas GovTechs chegam à fase de contrato público
Uma segunda camada do levantamento, resultado de parceria entre o Observatório Sebrae Startups e o Observatório do CPSI, iniciativa do Núcleo de Inovação e Propriedade Intelectual da Procuradoria Geral do Estado de São Paulo, mapeou o perfil das empresas que já participaram efetivamente do modelo de Contrato Público de Soluções Inovadoras. O estudo identificou 59 órgãos e entidades públicas com editais abertos nessa modalidade, dos quais 44 celebraram contratos com 248 fornecedores, totalizando 223 CNPJs distintos analisados em profundidade.
Desse grupo, 80 empresas têm cadastro ativo na Plataforma Sebrae Startups, o equivalente a 35,9% do total. A distribuição por porte financeiro mostra predominância de empresas maiores: 57% faturam acima de R$ 4,8 milhões por ano. Microempresas, com faturamento entre R$ 81 mil e R$ 360 mil, representam 29,1% do grupo, enquanto as de pequeno porte, entre R$ 360 mil e R$ 4,8 milhões, somam 13,9%.
Contratos de inovação concentram empresas consolidadas
No recorte de empresas com contrato de CPSI, o domínio de software fica ainda mais evidente: 66,7% delas, o equivalente a 54 empresas, desenvolvem principalmente plataformas digitais. Serviços aparecem em segundo lugar, com 24,7% e 20 empresas, seguidos por hardware, com 6,2% e 5 empresas, e produtos físicos, com 2,5% e 2 empresas.
Por região, São Paulo também lidera nesse recorte, com 63 sedes, seguido por Rio de Janeiro, com 50, e Minas Gerais, com 22. Depois vêm Pernambuco, com 17, o Distrito Federal, com 6, o Espírito Santo, com 5, a Bahia e o Ceará, com 4 cada. Alagoas soma 3 empresas, a Paraíba tem 2, e há ainda 2 empresas com sede no exterior. Amazonas, Amapá e Maranhão registram 1 empresa cada.
GovTechs com contrato têm mais tempo de mercado
O tempo de existência das 223 empresas analisadas nesse recorte revela um perfil diferente do ecossistema geral de GovTechs. Empresas com mais de 10 anos de atuação representam 39% do total, com 87 negócios, enquanto as que têm entre 5 e 10 anos somam 37,2%, ou 83 empresas. Entre 2 e 5 anos de mercado estão 17,5% das empresas, com 39 negócios, e apenas 6,3%, ou 14 empresas, têm menos de 2 anos de existência.
A idade média das empresas nesse universo chega a 11,7 anos, valor bem acima da média do ecossistema geral de GovTechs, ainda concentrado em fase de validação. A média de sócios por empresa é de 3,4, totalizando 752 sócios no conjunto analisado, e cada startup atende, em média, 9 segmentos diferentes de atuação.
Para Paulo Renato Cabral, o modelo de Contrato Público de Soluções Inovadoras representa uma mudança na forma como o Estado contrata tecnologia. “Em vez de adquirir soluções prontas, o poder público testa e desenvolve soluções customizadas para desafios específicos”, afirma. Segundo o gerente de Inovação do Sebrae Nacional, o modelo ainda está em fase de consolidação, mas tem potencial para ampliar o acesso das GovTechs ao mercado público.
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