Do Micro Ao Macro

Times de compliance perdem 40 horas por semana com tarefas manuais, mostra levantamento

Levantamento mostra que times dedicam quase 40 horas semanais só para checar fornecedores, enquanto exigências regulatórias seguem em alta

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Equipes de compliance dedicam, em média, 37,4 horas por semana apenas para avaliar a regularidade de fornecedores. O número ajuda a entender por que tantos profissionais da área relatam a sensação de passar o expediente inteiro reunindo documentos, sem sobrar tempo para analisar o que realmente importa.

Parte da explicação está no volume de exigências que essas equipes acompanham hoje. Mudanças como a reforma tributária, regulamentações setoriais e critérios de ESG ampliam o volume de informações que precisam ser verificadas e monitoradas. Para quem ainda depende de processos manuais, cada nova exigência se traduz em mais consultas, mais documentos e mais horas de trabalho.

Segundo Dielson Haffner, sócio e head da Netrin, empresa de gestão de riscos de terceiros, a pressão regulatória tende a continuar aumentando e a impactar o volume e a profundidade do trabalho. Ele afirma que confirmar que uma empresa possui CNPJ ativo é apenas o ponto de partida. “Conforme o risco da relação, pode ser necessário analisar estrutura societária, situação fiscal, histórico judicial, exposição reputacional, sanções, vínculos com pessoas politicamente expostas e outros indicadores relevantes para a política da organização”, diz.

Ainda de acordo com Haffner, sem apoio da tecnologia esse quadro tende a piorar a sobrecarga das equipes e comprometer a qualidade das análises, já que times pressionados por prazo acabam priorizando velocidade em vez de profundidade. “O modelo mais eficiente é híbrido, com a tecnologia para consultar, consolidar, monitorar e apontar exceções e os especialistas para interpretar evidências, contextualizar riscos e tomar decisões. Com profissionais qualificados, a tecnologia deve direcionar o trabalho humano para as exceções em vez de tratar todos os terceiros da mesma forma”, orienta.

Levantamento da Whistic mostra que 88% das organizações precisam examinar documentação manualmente em busca de evidências específicas. Apesar desse esforço, elas pretendem avaliar, em média, 255 terceiros por ano, demanda que esbarra no volume e na complexidade das análises. Como consequência, dados da Veridion apontam que 66% das empresas relatam sobrecarga das equipes responsáveis pelas checagens manuais.

Para Haffner, quando o time gasta a maior parte do tempo reunindo informação, sobra pouco tempo e energia para analisar o que realmente importa, o que aumenta o risco de deixar passar algo relevante. Segundo ele, o cenário regulatório não deve ficar mais simples: a tendência é de mais normas e mais fiscalização, o que amplia a necessidade de monitorar cada relação com cliente, fornecedor ou parceiro de forma contínua, ao mesmo tempo em que cresce a cobrança por respostas rápidas.

Coleta de documentos trava o compliance

Segundo Haffner, boa parte da sobrecarga vem de uma etapa que costuma passar despercebida, a coleta de documentos em si. “Muita empresa ainda depende de certidão, contrato e outros documentos chegando por e-mail, WhatsApp ou canal solto, sem centralização. Isso atrasa o processo, dificulta acompanhar as pendências e aumenta o risco de usar informações que não refletem mais a realidade”, explica.

Automação exige revisão de especialistas

À medida que as exigências regulatórias aumentam, a automação tende a se tornar parte da estrutura do compliance. “A automação elimina o esforço operacional anterior à análise, mas não a substitui. É preciso ter muito cuidado nessa etapa para garantir que haja rastreabilidade da informação, atualização dos dados, evidências que sustentam o alerta e fazer a revisão humana em casos críticos. Sem isso, a tecnologia pode apenas acelerar uma decisão ruim”, diz Haffner.

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