Do Micro Ao Macro

Quais são as soft skills que o mercado exige de um consultor de investimentos

Especialistas apontam que inteligência comportamental, empatia e capacidade de adaptação se tornaram diferenciais na carreira financeira.

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Certificações técnicas em finanças deixaram de garantir, sozinhas, uma trajetória duradoura no mercado de investimentos. Um levantamento conduzido por especialistas em comportamento aponta que o consultor com melhor desempenho não é necessariamente o mais qualificado em cálculos ou economia, mas aquele capaz de ler emoções, tolerar pressão e ajustar a comunicação a cada perfil de investidor.

A profissão ainda é recente no Brasil e opera em um setor dinâmico e competitivo. Enquanto certificações como CFP, CEA, Ancord e CGA seguem funcionando como porta de entrada, o avanço na carreira tem dependido cada vez mais de fatores comportamentais, além do domínio técnico.

Para Armando Costa, sócio da Eleva Invest, hub voltado a consultores financeiros, o resultado de um atendimento está ligado à forma como o profissional lida com as próprias emoções e com as do investidor. “As decisões de quem investe são afetadas por sentimentos, vivências e pela forma como cada pessoa lida com risco. Por isso, ganham espaço profissionais com adaptabilidade e inteligência emocional para suportar pressão, tolerar oscilações e decidir rápido diante dos altos e baixos da economia”, afirma Costa.

Segundo ele, soma-se a isso a capacidade de reconhecer diferentes perfis de investidores e de se comunicar de forma distinta com cada um. Um cliente conservador exige um tipo de conversa, enquanto um investidor mais arrojado espera outro tom e outro ritmo de decisão.

Consultor ganha confiança antes da rentabilidade

Edson Carli, gerente de produtos da Academia Brasileira de Inteligência Comportamental, defende que a permanência de um cliente depende de um campo que vai além dos números da carteira. “Somente com inteligência comportamental é possível conquistar o cliente ainda no campo da confiança intangível e mantê-lo na expansão dos negócios. Sem sintonia na condução das conversas, o investidor pode trocar de consultor, mesmo quando a carteira apresenta bom rendimento”, diz Carli.

Ainda assim, existe uma armadilha capaz de travar a carreira de um consultor experiente.

Sucesso passado vira armadilha para consultor

Carli descreve o risco de o profissional, apoiado em resultados anteriores, passar a acreditar que existe uma fórmula única e replicável para qualquer cliente. “Um exemplo é quando o profissional, ancorado em sucessos passados, acredita que seu jeito é o único vencedor e tenta aplicar a mesma fórmula para todos os clientes, esquecendo-se de que as emoções são soberanas na decisão final”, afirma.

Por isso, ele recomenda que cada consultor mapeie o próprio perfil de comportamento antes de atender terceiros. Assim, fica mais fácil identificar excessos e falhas de alinhamento com o investidor, em vez de repetir um script pronto para públicos diferentes.

Vínculo dura mais que uma comissão

Já para Armando Costa, o caminho passa por tratar cada relação comercial como patrimônio de longo prazo, e não como fonte de comissão pontual. “O consultor deve enxergar o investidor como alguém que confiou a ele o resultado de anos de esforço, a construção do futuro e a realização de sonhos”, diz.

Com empatia e proximidade na condução das conversas, completa Costa, o vínculo com o cliente se fortalece e a carteira se torna o principal ativo do consultor ao longo da carreira.

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