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‘Paramos no tempo’ por cobrar ética nas eleições?

A extrema direita mente, afronta a democracia e aposta no vale-tudo eleitoral

‘Paramos no tempo’ por cobrar ética nas eleições?
‘Paramos no tempo’ por cobrar ética nas eleições?
Renan Santos, candidato do Missão, parece ainda estar na fase das fraldas - Foto: Renato Pizzutto/Band
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Eleições 2026

“A diferença entre os humanos e os animais é que os animais nunca permitem que um estúpido lidere a manada” (Winston Churchill)

Uma triste realidade é que estamos às portas de uma eleição que pode definir entre a barbárie e a continuidade democrática, ainda que com percalços. Enquanto isso, o eleitor vai sendo metralhado por campanhas de desinformação, baixaria e fake news. Para coroar, resolvem criticar Lula por se negar a participar da farsa que foi o primeiro debate nacional entre os candidatos à Presidência da República.

Trata-se de um formato ultrapassado, no qual candidatos se apresentam como franco-atiradores, com palavras de baixo calão, agressividade criminosa, agressões vis à primeira-dama Janja da Silva, fraldas mostradas de maneira humilhante — enfim, um show de horrores. O debate serviu para alguns candidatos fazerem cortes para divulgar nas redes sociais e para dar espaço a candidatos desqualificados e sem pudor algum. A ausência a esse circo, sem dúvida, é um sinal de respeito ao eleitor.

A situação só piora. Há 100 longos dias, o Brasil foi surpreendido com a gravação de uma conversa entre o candidato da extrema direita, Flávio Bolsonaro, e o banqueiro Daniel Vorcaro, na qual o primeiro cobrava a complementação dos 130 milhões de reais que o banqueiro havia prometido para, supostamente, patrocinar o filme Dark Horse, sobre a vida do presidiário Jair Bolsonaro. Ali, descobrimos, perplexos, que 61 milhões já haviam sido pagos à família.

Óbvio que ninguém acreditou na história do filme. Restava uma investigação séria e rigorosa sobre o caminho do dinheiro. A quem serviram os 61 milhões de reais? O que exatamente essa dinheirama financiou?

Convém lembrar: o telefonema de Flávio Bolsonaro cobrando o banqueiro deixou claro que a visita do candidato a Vorcaro se deu quando este estava cumprindo prisão domiciliar, com tornozeleira eletrônica. Um fato que o presidenciável havia negado publicamente, inclusive ofendendo a jornalista que ousou fazer a pergunta. Por muito menos, já teriam determinado busca e apreensão ou prisão preventiva se fosse o filho do presidente Lula.

Duas investigações, pesos diferentes na mídia

Agora, com as eleições se aproximando, cada vez mais o quadro vai se definindo. A grande mídia escolheu fustigar o Lulinha e fazer do inquérito contra ele o principal mote da campanha. Uma criminosa rede de vazamentos está montada e percebe-se, com clareza, a instrumentalização das investigações. Além da mídia tradicional, um grande aparato de redes sociais cuida de desmoralizar as investigações, com vazamentos criminosos, mas atingindo o objetivo de colocar a campanha de Lula na defensiva.

Por outro lado, a desfaçatez do candidato da extrema direita continua sem limites. Como goza de proteção em diversas áreas, sabe que não será realmente investigado e resolveu afrontar publicamente a inteligência de todos. Ele havia prometido prestar contas dos milhões recebidos para um filme fajuto, que serve para fins obscuros. Não prestou.

Como o assunto saiu da mídia, com uma proteção vergonhosa e criminosa, o candidato resolve enfrentar quem ousa perguntar sobre o assunto: “Vocês vão parar no tempo?” E diz, com cara de deboche, que está tudo já esclarecido. Mesmo todos sabendo que é mentira, fica a palavra dele como verdade. Pelo visto, esta reta final de campanha vai ser um vale-tudo.

É claro que não estamos propondo que sejam vazadas as investigações que porventura existirem sobre essa “doação” para o filme. Todo vazamento clandestino deve ser criticado. O que se questiona é a investigação. E, claro, o tratamento desigual e antidemocrático que se dá às duas candidaturas.

Como lidar com quem não tem limites nem ética?

Há tempos escrevo sobre a dificuldade de enfrentar quem não tem limites, não tem ética, não tem critério. Por isso, não me assusta a resposta em tom de galhofa: “Vocês vão parar no tempo?”. Sim, essa é a resposta dele. Pior do que parar no tempo é o retrocesso brutal que se anuncia.

Estes caras de pau deveriam ter lido Saramago: “Tentei não fazer nada na vida que não envergonhasse a criança que fui.” A dúvida é: que crianças foram estes radicais de direita…

A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.

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