Política

Debate na ‘Band’: ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro são os principais assuntos

Primeiro confronto presidencial na TV teve apenas três dos seis convidados no palco; levantamento contabilizou 73 menções aos dois líderes das pesquisas

Debate na ‘Band’: ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro são os principais assuntos
Debate na ‘Band’: ausentes, Lula e Flávio Bolsonaro são os principais assuntos
Debate da Band: o candidato do PSD à Presidência da República, Ronaldo Caiado, em destaque. Ao fundo, os presidenciáveis Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Foto: Renato Pizzutto/Band
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O primeiro debate entre os candidatos à Presidência em 2026 terminou marcado justamente pela ausência dos dois nomes que lideram a corrida eleitoral. Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) não foram à Band na noite de domingo 23, esvaziando o encontro que reuniu apenas Ronaldo Caiado (PSD), Renan Santos (Missão) e Augusto Cury (Avante). Romeu Zema (Novo), que também havia sido convidado, desistiu horas antes.

A ausência teve impacto direto no tamanho do confronto. Com apenas três candidatos no estúdio, o debate teve o menor número de participantes em uma estreia de debates presidenciais desde 1989. Os presentes, porém, não conseguiram tirar Lula e Flávio do centro da discussão.

Um levantamento do Congresso em Foco contabilizou 73 menções nominais aos dois durante o programa. Lula apareceu 44 vezes e Flávio, 29. O número considera referências feitas pelos candidatos, mediadores, jornalistas e integrantes da transmissão. Zema, que também não participou, foi citado apenas três vezes.

A concentração das referências mostra como as cadeiras vazias acabaram ocupando parte relevante do debate. As críticas começaram logo no início. Renan Santos atacou os dois ausentes e chegou a usar os púlpitos reservados a Lula e Flávio para direcionar provocações. Caiado também cobrou a presença dos líderes das pesquisas e defendeu que candidatos sejam obrigados a participar de debates. Cury criticou principalmente a decisão de Lula de conceder uma entrevista à Record durante o mesmo horário.

O petista foi o principal alvo. O presidente havia decidido antecipadamente não participar do encontro e, durante o debate, concedeu entrevista gravada ao Domingo Espetacular. Entre os assuntos abordados, falou sobre as investigações envolvendo seu filho, Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, segurança pública, economia, relações com os Estados Unidos e escala 6×1. Também criticou candidatos que, segundo ele, tentam construir uma candidatura pela popularidade nas redes sociais.

Flávio, por sua vez, justificou a ausência em um vídeo publicado nas redes sociais. Disse que pretende enfrentar Lula diretamente e que não considera Caiado, Renan e Cury seus principais adversários. O senador aproveitou a gravação para atacar o governo petista, citar as investigações envolvendo Lulinha e apresentar propostas para economia, segurança e costumes.

No estúdio, os três candidatos presentes exploraram exatamente essa estratégia. Renan Santos concentrou boa parte de suas intervenções nos dois líderes e adotou o tom mais agressivo. Caiado fez críticas a Lula e Flávio e associou os dois a casos que têm repercutido na campanha, como as investigações envolvendo o Banco Master e o filme Dark Horse. Cury também cobrou Lula, especialmente em temas como educação, mas tentou se diferenciar pelo tom mais moderado.

O episódio expôs o limite do primeiro debate da eleição. Sem Lula e Flávio, os candidatos que foram à Band ganharam espaço para apresentar propostas, mas não conseguiram estabelecer uma disputa própria. A noite acabou organizada em torno dos dois nomes que não estavam no estúdio, enquanto os presentes tentavam se posicionar diante de uma polarização que continua determinando o rumo da campanha.

No fim, o que resumiu perfeitamente o primeiro debate presidencial na televisão foi a cena cômica do candidato a vice na chapa de Caiado, Gilberto Kassab (PSD), dormindo pesado enquanto os presidenciáveis falavam. No debate dos ausentes, Kassab tratou de fazer sua parte. 

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