Do Micro Ao Macro
96% dos CIOs do setor financeiro aceleram a adoção de IA
Pesquisa da Logicalis mostra avanço rápido em bancos e instituições financeiras, mas aponta lacunas em governança, segurança e escala
Quase todos os CIOs do setor financeiro, 96%, registraram alta no interesse por inteligência artificial no último ano, segundo o Logicalis CIO Report 2026. O avanço rápido, porém, esbarra em um obstáculo comum: mais da metade dos executivos, 52%, admite não ter roteiro consistente para orientar a evolução da IA nos próximos anos.
O levantamento ouviu líderes de tecnologia de instituições financeiras em diferentes regiões e mostra outro dado que reforça essa cautela. 52% dos CIOs acreditam que a implementação da tecnologia avança rápido demais, e 89% reconhecem aprender enquanto implantam novas soluções.
Fabio Hashimoto, CTO da Logicalis Brasil, avalia que o papel dos CIOs do setor mudou com esse movimento.
“Os CIOs do mercado financeiro estão assumindo um papel ainda mais estratégico. Eles não são apenas responsáveis por implementar novas tecnologias, mas por criar modelos de governança que permitam escalar a inteligência artificial com segurança, transparência e alinhamento aos objetivos do negócio. A vantagem competitiva não estará apenas em adotar IA primeiro, mas em fazê-lo de forma sustentável e responsável”, afirma Hashimoto.
Escalar a IA é o novo desafio
A IA já traz ganhos concretos. 55% dos CIOs citam melhoria na prestação de serviços, 51% apontam avanço na experiência do cliente e 47% mencionam análises preditivas mais precisas. Ainda assim, ampliar iniciativas isoladas para toda a operação segue como um dos principais obstáculos do setor.
Segundo o levantamento, 68% dos CIOs financeiros ainda não têm confiança plena de que conseguirão expandir projetos de IA além das provas de conceito. Para os executivos, o obstáculo está menos na tecnologia e mais na maturidade da organização.
Entre as principais barreiras aparecem preocupações com regulamentação e conformidade, citadas por 90% dos CIOs, seguidas por desafios ligados aos dados, com 89%, cultura organizacional, com 84%, e escassez de competências técnicas, com 82%.
Segurança sente o avanço da IA
O crescimento da IA também reconfigura a cibersegurança do setor financeiro. A tecnologia reforça a prevenção a fraudes e a conformidade regulatória, mas amplia a superfície de ataque e cria desafios para as equipes de segurança.
O levantamento mostra que 78% das organizações financeiras consultadas sofreram incidentes cibernéticos no último ano, e 27% dos CIOs já consideram a IA um risco significativo para o negócio.
Os desafios vão além dos ataques. Mais de um terço dos executivos, 35%, afirma que a IA criou pontos cegos de segurança, e 40% relatam aumento no tempo de resposta a incidentes.
A falta de visibilidade também preocupa. 65% dos CIOs não têm confiança plena de controle completo sobre as ferramentas de IA usadas na empresa, e 66% avaliam que seus modelos de governança não acompanham a velocidade da tecnologia.
Fator humano ainda pesa no risco
Para 67% dos entrevistados, o treinamento dos funcionários segue insuficiente. Quase metade, 48%, acredita que o uso inadequado de ferramentas de IA pelo time representa risco para a segurança dos dados da empresa.
Sistemas autônomos são a próxima fronteira
O próximo passo do setor aponta para sistemas capazes de atuar com autonomia. O estudo mostra que 59% das instituições financeiras pretendem investir em IA agêntica nos próximos 12 meses, tecnologia que permite a agentes executar tarefas, tomar decisões e coordenar processos com pouca intervenção humana.
Essa mudança deve alterar a arquitetura operacional das empresas. Quase todos os CIOs, 97%, pretendem ampliar o uso de provedores de serviços gerenciados nos próximos anos para acelerar a inovação e suprir a falta de competências especializadas.
Tecnologias emergentes, como a computação quântica, também entram no radar dos executivos. Cerca de 28% acredita que ela pode afetar o modelo de negócio já nos próximos dois anos.
Para Hashimoto, essa nova fase exige mudança no papel da liderança de tecnologia.
“Estamos entrando em uma era em que os CIOs deixam de liderar apenas projetos de transformação digital para arquitetar ecossistemas inteligentes, nos quais pessoas, agentes de IA e parceiros tecnológicos trabalham de forma integrada. O diferencial competitivo será construir ambientes em que inovação, governança, segurança e responsabilidade evoluam na mesma velocidade”, conclui Hashimoto.
O relatório reforça que a corrida pela IA no setor financeiro depende, hoje, da capacidade das empresas de sustentar governança e segurança no mesmo ritmo da adoção.
2026 já começou
Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.
A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.
Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.
Assine ou contribua com o quanto puder.



