Do Micro Ao Macro

Frio impulsiona delivery e eleva ticket médio em bares e restaurantes

Levantamento aponta alta de até 71% nos pedidos em dias frios, e especialistas explicam o que garante lucro real nesse período do ano

Frio impulsiona delivery e eleva ticket médio em bares e restaurantes
Frio impulsiona delivery e eleva ticket médio em bares e restaurantes
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Pedidos por delivery em bares e restaurantes sobem até 71% durante o inverno, aponta levantamento da logtech Gaudium. O canal já representa quase 30% do faturamento do setor, segundo a Abrasel, e movimenta um mercado que somou R$ 495 bilhões no último ano, com alta de 9,2% no faturamento de maio ante o mesmo mês do ano anterior, de acordo com o Índice de Desempenho Foodservice (IDF/IFB).

Assim, o frio muda o hábito de consumo. Clientes passam a buscar refeições para comer em casa, e itens como sopas, caldos, fondues, massas e bebidas quentes entram no cardápio.

Por consequência, o movimento eleva o ticket médio. Mas converter esse ganho em lucro depende de mudança na operação interna, além da atualização do cardápio.

Delivery ganha força com o frio

Élida Queiroz, CEO da Altec Sistemas, foodtech de software de gestão para bares e restaurantes, afirma que o inverno abre espaço para aumento de margem junto à base de clientes recorrentes.

“Em dias frios, observamos uma tendência clara de elevação no ticket médio do delivery. O consumidor habitual, que já conhece e confia na marca, costuma fazer pedidos mais completos, incluindo entradas, sobremesas e bebidas de maior valor. No entanto, para que esse aumento na demanda se converta em margem de lucro real, o restaurante precisa garantir uma logística interna ágil, desde o recebimento do pedido no sistema até a expedição para o entregador”, diz a executiva.

Ticket médio sobe nos pedidos

Ainda segundo a executiva, lançar pratos de inverno exige planejamento nos bastidores, com cálculo de custo e ajuste na ficha técnica de cada item.

“É fundamental calcular o custo de produção dos novos pratos, ajustar a ficha técnica no sistema e monitorar o estoque de insumos específicos para evitar rupturas ou desperdícios durante os picos de consumo”, explica Élida.

Também há o desafio de manter a temperatura do prato até a entrega, um dos pontos mais sensíveis da operação no período.

“O uso de embalagens térmicas adequadas é indispensável, mas de nada adianta a embalagem se o prato fica parado na bancada aguardando o despacho. A tecnologia integra o pedido diretamente à cozinha e notifica a expedição no tempo certo, reduzindo o tempo de espera interno e garantindo que o produto chegue aquecido ao cliente”, destaca a CEO.

Bastidores decidem o lucro do delivery

Por isso, a gestão em tempo real do cardápio digital ajuda no período. Ativar ou pausar pratos sazonais nos aplicativos, conforme o clima ou a disponibilidade de insumos, evita frustração e protege as avaliações on-line, já que erros em dias de pico ganham visibilidade maior.

Retenção além da estação

Segundo a executiva, restaurantes com cardápio de inverno, embalagem adequada e processos internos automatizados retêm clientes além da estação fria.

“Restaurantes que combinam menu atrativo para o frio, embalagens adequadas e automação dos processos internos conseguem algo mais valioso do que um mês forte: retêm o cliente além do inverno. Nos últimos ciclos, estabelecimentos com gestão integrada registraram retenção até 35% superior entre clientes conquistados em períodos sazonais”, conclui Élida.

Por fim, o balanço reforça que o delivery segue com papel relevante no faturamento do setor food service, mesmo fora do pico do inverno.

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