Mundo
Trump afirma que vai se reunir com Kin Jong Un neste ano
O encontro entre os presidentes dos EUA e da Coreia do Norte deve acontecer em novembro, segundo a imprensa norte-americana
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, afirmou na quarta-feira 19 que se reunirá com o líder norte-coreano, Kim Jong Un, antes do final do ano, depois de ordenar a redução dos exercícios militares com a Coreia do Sul para evitar irritar Pyongyang.
“Sim, vou me reunir com ele”, respondeu Trump ao ser questionado sobre o assunto enquanto mostrava aos repórteres as reformas em andamento na Casa Branca.
Trump também disse que a Coreia do Norte possui 57 armas nucleares “muito potentes”, uma referência rara e incomumente específica por parte de um presidente americano ao arsenal nuclear norte-coreano.
“Isso nunca deveria ter acontecido (…) Se eu fosse presidente, não teria permitido”, disse Trump.
O ministro da Defesa da Coreia do Sul, Ahn Gyu Back, declarou algumas horas depois, no Parlamento de Seul, que o Norte possui “de 80 a 120” armas nucleares.
Ao ser questionado se Washington havia “renunciado” à desnuclearização da Coreia do Norte, Ahn disse que não acreditava nisso.
O presidente sul-coreano Lee Jae Myung – que defende o fortalecimento da defesa para reduzir a dependência em relação aos Estados Unidos – disse na noite de quarta-feira que faria “todo o possível” para contribuir com os esforços de Trump para alcançar a paz com o Norte.
O Wall Street Journal informou que o encontro entre Trump e Kim poderá ocorrer durante a viagem do presidente à China para a cúpula da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec), em novembro.
Trump defendeu seus planos de se encontrar com Kim enquanto os Estados Unidos travam uma guerra com o Irã, a qual justificam como necessária para impedir que Teerã adquira armas nucleares.
“Eu me dou muito bem com ele. Não posso permitir que o Irã tenha armas nucleares. E conheço Kim Jong Un muito bem, e ele ficará bem”, acrescentou.
A relação entre os dois líderes voltou aos holofotes quando Trump decidiu, no domingo, reduzir os exercícios militares conjuntos com a Coreia do Sul, os quais, segundo ele, enviavam um sinal “inadequado e hostil”, dada a sua “boa relação” com Kim.
Trump e Kim se reuniram três vezes durante o primeiro mandato do republicano na Casa Branca (2017-2021).
‘Não tenho conhecimento’
“Há especulações persistentes de que Washington possa tentar retomar as negociações com Pyongyang antes das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro”, disse Yang Moo Jin, ex-presidente da Universidade de Estudos Norte-Coreanos, à AFP.
“Para Trump, uma reunião com Kim Jong Un poderia representar uma oportunidade de garantir um legado de política externa”, explicou.
Enquanto isso, Park Won Gon, professor da Universidade Ewha, observou que a redução dos exercícios militares conjuntos poderia facilitar o diálogo. “A suspensão dos exercícios conjuntos sempre foi um pré-requisito para que a Coreia do Norte dialogasse com os Estados Unidos”, disse à AFP.
Questionado na segunda-feira se Kim havia respondido aos seus pedidos de diálogo, Trump disse: “Sim, ele respondeu.” No entanto, a irmã do líder norte-coreano, Kim Yo Jong, afirmou na quarta-feira que não tinha conhecimento de nenhum contato entre Kim Jong Un e Trump.
“Em relação aos recentes relatos vindos de Washington sobre a comunicação entre os líderes da Coreia do Norte e dos Estados Unidos, não tenho conhecimento algum”, afirmou em nota. “E provavelmente é a única questão de política externa envolvendo nossa alta liderança da qual não tenho conhecimento”, acrescentou.
Apesar disso, Kim Yo Jong comentou que seu irmão guardava “boas lembranças e uma boa impressão” de Trump e que a relação entre os dois líderes permanece “excelente”.
Manobras reduzidas
Trump anunciou no domingo uma redução “substancial” na participação dos Estados Unidos nos exercícios militares anuais conhecidos como Ulchi Freedom Shield (UFS, Escudo da Liberdade Ulchi) com a Coreia do Sul, devido à sua “relação muito boa” com o líder norte-coreano.
Em sua plataforma Truth Social, o republicano criticou os exercícios com Seul, não apenas por serem “custosos”, mas também porque “enviam um sinal totalmente inadequado e hostil” em relação à Coreia do Norte, um país que, segundo ele, tem sido respeitoso e “não ameaçador” desde que ele retornou ao poder em 2025.
O Exército sul-coreano indicou na quarta-feira que as manobras terminarão na sexta-feira, e não em 27 de agosto, como estava inicialmente previsto.
“Decidimos ajustar o período dos exercícios para que ocorram de 17 a 21 de agosto”, seis dias antes do previsto, afirmou o Estado-Maior Conjunto da Coreia do Sul em um comunicado, acrescentando que a decisão foi tomada “por sugestão dos Estados Unidos”.
Um oficial do Pentágono disse à AFP que “esses ajustes mantêm os objetivos essenciais de prontidão e treinamento”.
As manobras visam preparar conjuntamente a defesa contra a Coreia do Norte, um país com armas nucleares.
Estavam programadas para ocorrer em duas fases: a primeira, de 17 a 21 de agosto, focada na defesa contra potenciais ameaças norte-coreanas; e a segunda, de 24 a 27 de agosto, para preparar uma contraofensiva.
A segunda fase teria sido eliminada pela ordem de Trump para reduzir os exercícios.
De qualquer forma, a irmã de Kim minimizou a mudança: “Não achamos que mereça comentários e consideramos isso completamente desinteressante”, disse ela.
Em sua opinião, reduzir a escala ou a duração dos exercícios não diminui sua natureza “provocativa e agressiva”.
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