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EUA mantém corredor militar para retirar petróleo de Ormuz, diz site

Segundo autoridades americanas ouvidas pelo portal ‘Axios’, ao menos 15 petroleiros atravessam diariamente para a abastecer o mercado internacional

EUA mantém corredor militar para retirar petróleo de Ormuz, diz site
EUA mantém corredor militar para retirar petróleo de Ormuz, diz site
O Estado sou eu. O presidente norte-americano parece buscar inspiração em Luís XIV, o Rei Sol, ícone do absolutismo na França – Imagem: Daniel Torok/Casa Branca Oficial
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Em meio à escalada de tensão com o Irã, os Estados Unidos montaram discretamente uma operação militar para garantir o transporte de petróleo pelo Estreito de Ormuz, uma das principais rotas de energia do mundo.

Segundo dois oficiais americanos ouvidos pelo site norte-americano Axios, entre 15 e 20 petroleiros passaram a utilizar diariamente um corredor marítimo controlado pelas forças dos EUA no sul do estreito, junto à costa de Omã.

De acordo com a reportagem publicada nesta quinta-feira 19, a operação, que está em andamento há várias semanas, permite a entrada de navios vazios no Golfo Pérsico e a saída de embarcações carregadas com petróleo. A força-tarefa responsável pela operação é coordenada pelo quartel-general da 82ª Divisão Aerotransportada do Exército dos EUA, em Fort Bragg, na Carolina do Norte.

A estimativa das autoridades americanas é de que cerca de 10 milhões de barris por dia estejam deixando a região e chegando ao mercado internacional — aproximadamente metade do volume transportado por Ormuz antes da guerra. O corredor é mantido em uma das extremidades do Estreito, passagem marítima entre o Irã e Omã que conecta o Golfo Pérsico ao Golfo de Omã e, posteriormente, ao Oceano Índico. Antes, a região concentrava cerca de um quinto do consumo mundial de petróleo.

Essa rota foi bloqueada pelo Irã após o início da guerra, deflagrada em 28 de fevereiro após uma ofensiva dos EUA e de Israel contra o País. A Guarda Revolucionária iraniana afirma que manterá a passagem fechada até que Washington aceite uma série de exigências, incluindo o pagamento de compensações pelos danos provocados pelo conflito.

Segundo os oficiais americanos, a operação no Estreito não se limita à escolta de navios que deixam o Golfo. Os militares também organizam a entrada de petroleiros vazios pelo mesmo corredor. As embarcações seguem até portos dos Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Kuwait, onde são carregadas antes de retornar ao mercado internacional.

Os navios são organizados em grupos para atravessar o estreito em horários previamente determinados. A força-tarefa americana fornece pontos de controle e acompanha o deslocamento das embarcações. Caças da Força Aérea dos EUA também patrulham a região para detectar e interceptar drones e mísseis de cruzeiro iranianos, de acordo com a apuração do site estadunidense.

Um dos oficiais ouvidos pelo Axios afirmou que os EUA controlam a faixa sul do Estreito de Ormuz há cerca de dois meses. Segundo ele, a Guarda Revolucionária Islâmica ainda representa uma ameaça, mas não teria controle sobre o corredor utilizado pelos navios.

A operação ocorre depois de uma campanha militar de duas semanas conduzida pelo Comando Central dos EUA, que, segundo as autoridades americanas, reduziu a capacidade iraniana de monitoramento por radar e vigilância marítima na região. O Irã teria conseguido reconstruir parte de seus sistemas de radar, mas sua capacidade de acompanhar o tráfego no corredor sul estaria limitada.

A quantidade de petróleo transportada pelo corredor tem variado, com uma média diária nas últimas duas semanas de aproximadamente 10 milhões de barris, segundo autoridades do governo Donald Trump. O fluxo representa uma tentativa de reduzir o impacto da interrupção das exportações provocada pelo conflito.

A redução da oferta internacional havia contribuído para a alta dos preços do petróleo, transformando a segurança da navegação em Ormuz em uma das principais questões econômicas da guerra.

Questionado pelo Axios sobre a situação na quarta-feira, Trump afirmou que havia “uma quantidade enorme de petróleo” saindo de Ormuz. “Eles estão perdendo tempo. Negociar com eles é uma perda de tempo”, disse o magnata estadunidense em referência a um possível diálogo com o Irã. “Os iranianos ainda têm alguma resistência, mas, no geral, são uma sombra do que eram”.

A operação militar ocorre em um momento de escalada retórica entre Washington e Teerã. Na terça, o presidente dos EUA compartilhou uma montagem que apresentava o Estreito de Ormuz como “novo território” do país. A publicação provocou reação do governo iraniano. O vice-ministro das Relações Exteriores, Kazem Gharibabadi, afirmou que a “ilusão” de Trump sobre o estreito seria corrigida.

O episódio ampliou a disputa sobre quem controla a passagem marítima. Embora o estreito seja dividido territorialmente entre Irã e Omã, o direito internacional estabelece que navios e aeronaves de outros países têm o direito de atravessar estreitos usados para navegação internacional. Segundo a Convenção das Nações Unidas sobre o Direito do Mar, os países que ficam às margens dessas rotas não podem impedir ou suspender a passagem. O Irã assinou o acordo, mas não o ratificou.

(Com informações da AFP).

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