Política

Eventos esvaziados provocam mal-estar na campanha de Flávio Bolsonaro

Após reunir 8,9 mil pessoas em Copacabana, o candidato cancelou agenda em Juiz de Fora, enfrentou baixa adesão em Belo Horizonte e reuniu apenas 100 pessoas em ‘adesivaço’

Eventos esvaziados provocam mal-estar na campanha de Flávio Bolsonaro
Eventos esvaziados provocam mal-estar na campanha de Flávio Bolsonaro
O Partido Liberal e a assessoria do candidato Flávio Bolsonaro (ao centro) tiveram o cuidado de divulgar apenas imagens fechadas do 'adesivaço' promovido pelo senador em Belo Horizonte (MG), ao lado de Nikolas Ferreira. Foto: Vittor Sales/PL
Apoie Siga-nos no
Eleições 2026

A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) começou com um problema que passou a incomodar o próprio candidato e integrantes de sua equipe: a dificuldade para mobilizar público nos eventos de rua. Nos três primeiros dias da campanha oficial, o senador enfrentou uma sequência de agendas com baixa adesão, incluindo o ato de lançamento em Copacabana, no Rio, um evento cancelado em Juiz de Fora e compromissos esvaziados em Belo Horizonte.

A falta de quórum caiu mal para a campanha. Flávio demonstrou desconforto com a baixa mobilização, e as reclamações chegaram a Vicente Santini, responsável pela organização das agendas do senador. Santini atua no dia a dia da campanha e participa da montagem dos compromissos e encontros do candidato.

O primeiro teste ocorreu no domingo 16, na praia de Copacabana, escolhida como palco para o lançamento oficial da candidatura. O Monitor do Debate Político da USP/Cebrap estimou em 8,9 mil o público no pico do ato, registrado às 11h30. Considerada a margem de erro de 12%, a estimativa ficou entre 7,8 mil e 9,9 mil pessoas.

O público minguado contrasta com as mobilizações anteriores do bolsonarismo no bairro. Copacabana foi o palco de atos protagonizados por Jair Bolsonaro (PL) — e que reuniram contingentes muito maiores. Em 7 de setembro de 2022, por exemplo, o monitor da USP estimou 64,6 mil pessoas no local. Em março de 2025, outro ato convocado pelo ex-presidente reuniu 18,3 mil participantes no pico.

Na segunda-feira 17, Flávio havia programado uma passagem por Juiz de Fora, cidade onde o pai sofreu o atentado a faca durante a campanha de 2018. A agenda, que previa uma motociata e um ato para relembrar o episódio, foi cancelada pela campanha sob a justificativa de “mau tempo”.

No mesmo dia, o senador seguiu para Belo Horizonte para participar do lançamento da candidatura de Flávio Roscoe (PL) ao governo de Minas Gerais. O evento ocorreu no ginásio poliesportivo do Mackenzie Esporte Clube, com capacidade para 900 pessoas, mas a quadra não chegou a ser preenchida. A campanha não divulgou uma estimativa de público e utilizou imagens fechadas nas redes sociais.

A presença de Nikolas Ferreira (PL-MG), uma das principais figuras de mobilização digital do bolsonarismo, não foi suficiente para alterar o cenário. O próprio deputado publicou imagens que mostraram os espaços vazios no ginásio.

Na terça-feira 18, a campanha manteve a agenda em Minas Gerais e promoveu um “adesivaço” em Belo Horizonte. A atividade teve adesão ainda menor, com cerca de 100 pessoas.

A sequência de episódios passou a alimentar a preocupação na campanha sobre a capacidade de Flávio reproduzir, nas ruas, a mobilização que durante anos esteve associada ao pai. O próprio PL já havia discutido a necessidade de adaptar o formato dos eventos à capacidade de convocação do candidato, em vez de repetir automaticamente a estrutura dos grandes atos de Jair Bolsonaro.

A avaliação ganha peso porque a campanha apostou justamente em locais e formatos associados ao bolsonarismo. Copacabana foi palco de manifestações expressivas de Jair Bolsonaro, enquanto Juiz de Fora carrega o simbolismo do atentado de 2018. Em Minas, a presença de Nikolas Ferreira também era uma tentativa de agregar um aliado com forte capacidade de mobilização. Ainda assim, os primeiros compromissos ficaram abaixo das expectativas.

Nesta quarta-feira 19, Flávio está em Brasília para gravar materiais de propaganda política. A agenda representa uma mudança em relação aos três primeiros dias, marcados principalmente por atividades presenciais. A campanha terá agora de administrar o desgaste provocado pelas primeiras imagens de baixa mobilização enquanto prepara os próximos testes de rua, entre eles novas agendas em São Paulo e um evento no Maracanãzinho, no Rio, previsto para sábado 22.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , , , , , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

2026 já começou

Às vésperas das eleições de 2026, o País volta a encarar um ponto de inflexão: o futuro democrático está novamente em jogo.

A ameaça bolsonarista não foi derrotada, apenas recuou. No Congresso, forças conservadoras seguem ditando o ritmo. Lá fora, o avanço da extrema-direita e os conflitos em Gaza, no Irã e na Ucrânia agravam a instabilidade global.

Se você valoriza o jornalismo crítico, independente e comprometido com a democracia, este é o momento de agir.

Assine ou contribua com o quanto puder.

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo