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Entre Lula, Bolsonaro e os estados: os 7 temas-chave da corrida eleitoral
Se em 2022 essa polarização se deu com o signo da democracia, em 2026 a principal dimensão é a da soberania nacional
Começam as eleições gerais de 2026. Com base no Monitoramento Eleitoral do OPEL — no qual 15 pesquisadoras e pesquisadores de graduação e pós-graduação em Ciências Sociais acompanham os principais movimentos políticos da pré-campanha em todos os estados —, destacamos sete pontos que merecem atenção especial nas disputas pela Presidência da República, pelos governos estaduais e pelo Senado.
1) Polarização nacional e soberania
A eleição presidencial de 2026 novamente coloca frente a frente um projeto democrático liderado pelo presidente Lula e um projeto autoritário liderado pelo clã Bolsonaro, sem espaço para uma terceira via. A diferença é que, se em 2022 essa polarização se deu com o signo da democracia, em 2026 a principal dimensão é a da soberania nacional: se Flávio Bolsonaro ganhar, o Brasil estará submetido aos interesses dos EUA nos marcos da renovação da Doutrina Monroe pregada por Donald Trump.
2) Donald Trump
Toda eleição tem fatos novos que vão sendo produzidos ao longo da disputa. E em 2026 é preciso prestar atenção em até onde vai Donald Trump em sua disposição de intervir no processo eleitoral brasileiro.
3) Renan Santos e o ‘fator Marçal’
Ainda na eleição presidencial, uma terceira dimensão fundamental que deve ser destacada é a aposta de Renan Santos em ser o novo candidato “antissistema”. Espaço para isso existe, uma vez que o bolsonarismo hoje já é parte do sistema. Foi assim com Pablo Marçal nas eleições de São Paulo em 2024.
4) Polarização nos estados
Em muitos estados da federação, teremos um quadro de disputa para o governo estadual que repete a polarização nacional, com um candidato de Lula enfrentando um candidato de Bolsonaro: é o caso de São Paulo, Rio de Janeiro, MS, Alagoas, Bahia, Ceará, Paraíba, Piauí, Rio Grande do Norte, Pará.
5) Estados com três forças disputando
E também em muitos estados, temos um cenário de disputa por três forças políticas pontuando bem na pesquisa e brigando pelas primeiras posições. Isso ocorre onde a direita tradicional consegue se posicionar bem sem ter o apoio nem de Lula nem de Bolsonaro: é o caso do Rio Grande do Sul, Paraná, Minas Gerais, Espírito Santo, Goiás, Distrito Federal, Maranhão, Sergipe, Amazonas.
6) A esquerda, a unidade e as mulheres da disputa do Senado
O bolsonarismo vem politizando a disputa pelo Senado desde 2023, com a pauta do impeachment de ministros do Supremo Federal. O campo da esquerda conseguiu se organizar para enfrentar isso com duas estratégias.
A primeira foi apostar na unidade, sem fragmentar candidaturas, o que pode viabilizar vitórias eleitorais em Estados difíceis para o campo, como por exemplo São Paulo. A segunda foi apostar em grandes lideranças femininas para protagonizar essa disputa, o que potencializa as chances de vitória a partir da mobilização do eleitorado feminino.
São elas Manuela D’Ávila no Rio Grande do Sul, Gleisi Hofman no Paraná, Simone Tebet e Marina Silva em São Paulo, Benedita da Silva no Rio de Janeiro, Marília Campos e Áurea Carolina em Minas Gerais, Erika Kokay e Leila do Vôlei no DF, Marília Arraes em Pernambuco, Luziane Lins no Ceará.
7) Futuros políticos à prova na disputa pelo Senado
A disputa pelo Senado em muitos estados será protagonizada por algumas lideranças políticas que cumprem papel nacional. Em caso de vitória, essas lideranças reforçam seu papel no próximo ciclo político. Já em caso de derrota, ficarão sem condições para manter algum protagonismo.
É o caso de Carlos Bolsonaro em Santa Catarina, Deltan Dallagnol no Paraná, da disputa entre Renan Calheiros e Artur Lira em Alagoas, da aposta do PT da Bahia em dois senadores petistas, com Rui Costa e Jaques Wagner, do ex-governador Helder Barbalho no Pará e do presidente do Senado, Davi Alcolumbre, que pode ver seu candidato ao governo ser derrotado no Amapá.
A opinião de colunistas e articulistas não representa, necessariamente, a opinião de CartaCapital.
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