Mundo
Ex-consultor de Milei e aliado do clã Bolsonaro é preso na Bolívia após atentado contra ex
Fernando Cerimedo chegou a ser indiciado no Brasil na investigação que apurou a tentativa de golpe de Estado após as eleições de 22
Ex-estrategista de Javier Milei na Argentina e aliado do clã Bolsonaro no Brasil, o marqueteiro argentino Fernando Cerimedo foi preso nesta terça-feira 18, na Bolívia, acusado de mandar matar a própria esposa.
Cerimedo foi detido no aeroporto de Santa Cruz de La Sierra, após uma investigação local apontar que ele teria contratado sicários para matar sua companheira, a engenheira Natalia Belén Basil. O homicídio foi registrado por câmeras de segurança.
Vídeos que circulam nas redes sociais mostram dois homens vestidos como entregadores e com capacetes subindo uma escada até a entrada de um edifício. Um deles, então, dispara contra a mulher, que cai no chão. Não é possível identificar o autor do disparo.
De acordo com o comandante da Polícia de Santa Cruz de la Sierra, David Gómez, a mulher foi hospitalizada e está internada. Os sicários, segundo Gómez, fugiram em uma motocicleta roubada.
A defesa de Fernando Cerimedo ainda não se manifestou sobre o caso.
O direitista atuou como consultor externo e coordenador de estratégia digital da campanha de Milei à Presidência da Argentina em 2023. No ano anterior, apoiou informalmente a campanha de Jair Bolsonaro (PL) à reeleição em 2022. Ele também é próximo do ex-deputado Eduardo Bolsonaro, com quem participou no fim de julho de uma transmissão ao vivo na internet, neste ano.
Em 2024, Cerimedo chegou a ser indiciado pela Polícia Federal no Brasil na investigação que apurou a tentativa de golpe de Estado após a derrota de Bolsonaro para Lula (PT). Em uma transmissão nas redes sociais, em 4 de novembro de 2022, ele apresentou um documento apócrifo no qual alegava que urnas fabricadas antes de 2020 não haviam sido auditadas e registraram mais votos para o petista, o que seria “estatisticamente impossível de justificar”.
O influencer, entretanto, não foi denunciado pela Procuradoria-Geral da República, sob o argumento de que a PF não provou que Cerimedo sabia que as informações eram falsas e faziam parte de um plano para um golpe de Estado. Atualmente, o estrategista vive na Bolívia, onde, segundo o jornal argentino Clarín, trabalha como assessor do presidente boliviano, Rodrigo Paz.
Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome
Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.
O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.
Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.
Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.
Leia também
Poupado pelo Supremo, ex-chefe da FAB admite iminência do golpe, mas diz que votou em Bolsonaro
Por Leonardo Miazzo
Cientistas protestam na Argentina contra cortes de Milei
Por AFP


