Do Micro Ao Macro

Infraestrutura substitui ferramenta como nova fase da inteligência artificial nas empresas

Executivos e pesquisadores debatem por que tratar a inteligência artificial como ferramenta isolada pode limitar o resultado das empresas

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A inteligência artificial deixa de ocupar o papel de ferramenta pontual dentro das empresas e passa a funcionar como infraestrutura, segundo especialistas em tecnologia. A mudança de status altera o modo como companhias planejam investimentos, organizam dados e disputam espaço no mercado ao longo da próxima década.

Empresas tratavam IA feito ferramenta isolada

Nos últimos anos, plataformas generativas, assistentes virtuais, agentes autônomos e sistemas preditivos passaram a ocupar reuniões de planejamento e discursos corporativos. A promessa inicial girava em torno de automatizar tarefas, reduzir custos e acelerar resultados. Ademar Paes Junior, CEO da LifesHub, afirma que essa leitura tende a ficar restrita: “talvez o maior erro das empresas seja justamente enxergar a inteligência artificial apenas como um produto”.

Nesse formato, segundo Paes Junior, a discussão corporativa costuma girar em torno da ferramenta em si, como qual plataforma responde mais rápido ou qual modelo produz melhores textos. Para ele, essa lógica permanece superficial diante do que a tecnologia já é capaz de sustentar dentro das operações.

Infraestrutura de dados sustenta decisões das empresas

Quando passa a funcionar como infraestrutura, a inteligência artificial assume um papel mais amplo. Segundo o executivo, ela passa a sustentar decisões de negócio, prever riscos, organizar operações, interpretar comportamentos de consumo, personalizar experiências e fortalecer controles regulatórios.

Paes Junior compara o movimento a outras tecnologias que se tornaram parte da rotina das empresas antes de virarem invisíveis, como a internet, a computação em nuvem e os sistemas financeiros digitais. “Assim como aconteceu com a internet, a computação em nuvem, os sistemas financeiros digitais e até mesmo com a eletricidade no passado, a inteligência artificial tende a se tornar uma camada invisível da economia moderna”, diz.

Adoção sem infraestrutura cria ilusão de avanço

Segundo o CEO da LifesHub, adotar soluções de IA sem preparo prévio nos dados pode gerar uma sensação de modernização que não se sustenta. Relatórios são produzidos mais rápido, atendimentos ganham automação e planilhas passam a ser interpretadas em segundos, mas parte desses avanços apenas acelera processos que já apresentavam falhas.

Por trás das aplicações mais avançadas de inteligência artificial, existe um elemento decisivo e pouco discutido publicamente: a integração entre sistemas, a qualidade das informações, a governança, a segurança e a organização das operações. Para Paes Junior, esse ponto resume um dos principais alertas do setor: “inteligência artificial alimentada por dados ruins não produz eficiência, produz erros em escala”.

Setor de tecnologia debate governança e regulação

O debate se intensifica porque a disputa global pela inteligência artificial já ultrapassou a fase inicial de encantamento. Empresas do setor investem valores altos em data centers, chips, capacidade computacional, modelos fundacionais e plataformas de automação. Paralelamente, universidades, centros de pesquisa e consultorias internacionais direcionam parte das discussões para governança, confiabilidade, segurança, impacto econômico, regulação e produtividade.

Para Paes Junior, o cenário caminha para um consenso entre especialistas do setor. “Inteligência artificial sem estrutura organizacional sólida tende a virar apenas experimento corporativo. Com infraestrutura adequada, ela se transforma em capacidade competitiva”, resume o executivo, ao descrever o que considera o próximo estágio da adoção da tecnologia dentro das empresas.

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