Educação
Ex-professor de Cambridge acusado de plágio é encontrado morto em Londres
Nomeado em 2023, Jason Arday ganhou projeção por se tornar o mais jovem docente negro da Universidade de Cambridge
O ex-professor da Universidade de Cambridge Jason Arday, que vinha sendo alvo de acusações de plágio e de inconsistências em sua biografia, foi encontrado morto em sua casa nesta sexta-feira, 14, em Londres.
A morte do acadêmico, de 41 anos, foi confirmada pelas equipes de emergência chamadas ao local. Segundo a Polícia Metropolitana de Londres, o caso é tratado como uma “morte inesperada”, sem indícios aparentes de crime. Outros detalhes não foram divulgados.
A morte ocorre apenas uma semana depois de Arday pedir demissão da cátedra de Sociologia da Educação e de sua posição no Jesus College, em Cambridge, em meio à pressão crescente provocada por questionamentos sobre sua trajetória acadêmica e por alegações de plágio.
Em comunicado divulgado pelo jornal The Guardian, a família de Arday relacionou a morte à campanha de ataques que, segundo seus parentes, ele enfrentava desde que assumira o posto em Cambridge.
“Desde que aceitou o cargo de professor na Universidade de Cambridge, Jason foi alvo de uma campanha de abusos constantes por parte daqueles que não mediam esforços para tentar miná-lo”, afirmou a família. “A campanha de desinformação foi demais para Jason, que era um homem gentil e sempre queria ver o melhor em todos.”
Entenda o caso
Nomeado em 2023, Arday ganhou projeção por se tornar o mais jovem professor negro da Universidade de Cambridge. No mesmo período, porém, começaram a ganhar força acusações de que ele teria plagiado trechos de sua tese de doutorado. O pesquisador sempre negou as alegações.
Entre os principais críticos estava o acadêmico Nathan Cofnas, que se define como “realista racial” e foi afastado de seu cargo em Cambridge em 2024.
O caso abriu uma cizânia na comunidade acadêmica britânica. Defensores de Arday sustentavam que o escrutínio tinha motivações racistas. Críticos, por sua vez, consideravam legítimos os questionamentos sobre sua produção acadêmica e sua história de vida. Autista, Arday afirmava não ter desenvolvido a fala até os 11 anos — necessitando de terapia intensiva de fala e linguagem — e permanecido analfabeto até os 18 anos.
Após concluir a educação básica, Arday prosseguiu com os estudos e obteve um doutorado em Educação pela Universidade Liverpool John Moores, em 2015. A essa conquista seguiu-se uma série de cargos acadêmicos, culminando em uma posição de professor titular na Universidade de Glasgow e em uma cátedra na Universidade de Cambridge.
A Universidade de Cambridge — que, em diferentes momentos da controvérsia, chegou a defender o professor — abriu uma investigação sobre os “títulos universitários e nomeações honoríficas” atribuídos a Arday. Em 7 de agosto, também anunciou uma revisão do processo que levou à sua contratação para um dos cargos acadêmicos mais elevados da universidade.
O Comitê de Política de Pesquisa de Cambridge informou ainda que investigava “várias queixas relacionadas a má conduta acadêmica”. Paralelamente, um grupo de professores pediu à universidade a realização de uma “investigação independente”.
As acusações, no entanto, estavam longe de produzir um consenso. No ano passado, uma investigação conduzida pela Universidade John Moores de Liverpool, onde Arday realizou o doutorado, concluiu que ele não havia cometido plágio.
Na carta de renúncia, publicada na internet, Arday afirmou que deixar Cambridge era “a única forma” de encerrar um “período difícil”. Ressalvou, porém, que a decisão não deveria ser “confundida com uma aceitação das narrativas que têm rodeado a minha pessoa”.
Ele descreveu sua passagem pela universidade como o “maior privilégio profissional” de sua vida, mas afirmou que o custo pessoal do escrutínio havia se tornado “demasiado elevado”.
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