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Berlim: Evento para negros em piscina é suspenso após ameaças
Piscina havia sido reservada exclusivamente por uma tarde por associação que representa pessoas negras da capital. Iniciativa foi alvo de críticas e ameaças, com líder da ultradireita comparando evento ao “apartheid”
Um evento em uma piscina pública, localizada em um anfiteatro ao ar livre de Berlim, que previa receber exclusivamente jovens da comunidade negra da capital alemã foi cancelado por falta de segurança. Após receberem ameaças por e-mail e ofensas pelas redes sociais, os organizadores optaram por não seguir adiante com a iniciativa, que deveria ocorrer nesta sexta-feira 14 no Volksbühne, um dos palcos mais emblemáticos da capital alemã.
A associação Each One Teach One (Eoto) e a direção do teatro afirmaram que, dado o contexto, não poderiam garantir a integridade dos visitantes inscritos nem uma tarde de férias tranquila. A Eoto, que atua na área de prevenção do racismo e defende o empoderamento das pessoas negras, é uma das entidades responsáveis pelo Black Communities Center, no bairro de Wedding, que foi inaugurado este ano.
Desde 7 de agosto de 2026 e até o início de outubro, o pátio em frente ao Volksbühne abriga uma piscina ao ar livre, com 5 metros de comprimento e 1,30 metro de profundidade, conhecida como Volksbad (piscina do povo, em tradução livre). A entrada é gratuita. Em alguns dias, porém, a piscina fica reservada para eventos de determinadas associações – na sexta, estava previsto o uso exclusivo pela Eoto, entre as 12h e às 18h.
O diretor do Volksbühne de Berlim, Matthias Lilienthal, defendeu a iniciativa de conceder, em horários específicos, acesso exclusivo à piscina a pessoas em vulnerabilidade social. “Com isso, buscamos cumprir a Lei Estadual Antidiscriminação de Berlim, que prevê oferecer aos grupos que sofrem discriminação um ambiente no qual possam circular sem sofrer discriminação”, afirmou Lilienthal à Spiegel.
Líder ultradireitista fala em “apartheid”
O uso exclusivo pela Eoto gerou críticas e comentários ofensivos. Segundo o Volksbühne, a atividade de natação para crianças e adolescentes negros virou alvo de incitação da extrema direita e de comentários racistas.
Alice Weidel, líder da Alternativa para a Alemanha (AfD), principal partido ultradireitista do país, comparou o evento ao apartheid, referindo-se ao antigo sistema político da África do Sul que separava negros de brancos. Numa postagem publicada nessa quinta-feira, Weidel afirmou que “no projeto artístico Volksbad, financiado com dinheiro dos contribuintes, pessoas brancas têm o acesso temporariamente proibido”. A líder da AfD acrescentou que o financiamento público para “eventos desse tipo” deveria ser “imediatamente suspenso”.
A Eoto denunciou ter sido alvo de hostilidades, desde o início da divulgação do evento. “Temos recebido e-mails com ameaças racistas, ameaças de violência e comentários discriminatórios nas redes sociais”, afirmou a associação. O departamento infantil e juvenil da Eoto foi convidado pela Volksbühne para a realização do Volksbad.
De acordo com o diretor do Volksbühne, está previsto uma data alternativa para o evento com crianças e adolescentes negros na Volksbad. “Vamos continuar trabalhando com a Eoto, vamos dar continuidade aos nossos eventos e também vamos pensar em uma atividade para essas crianças e adolescentes”, afirmou Lilienthal à emissora local rbb.
Além do Eoto, a piscina é reservada, em outros dias, para a associação Gangway-Crew, que realiza trabalho social de rua com jovens e adultos, além de outras entidades.
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