Política

João Campos pressiona o PSOL a retirar candidatura em Pernambuco

O PSB ameaça romper apoio a candidatos psolistas em três estados caso Ivan Moraes mantenha a disputa pelo governo pernambucano

João Campos pressiona o PSOL a retirar candidatura em Pernambuco
João Campos pressiona o PSOL a retirar candidatura em Pernambuco
Campos quer liquidar a fatura no primeiro turno. Moraes insiste na disputa: "estou pronto para ir às ruas" - Fotos: Marcos Pastich/PCR e Divulgação/PSOL
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A um dia do prazo final para o registro das candidaturas que disputarão as eleições de outubro, o quadro em Pernambuco ainda é de indefinição. O palanque de Ivan Moraes, candidato do PSOL ao governo, está sob ameaça e pode ser desfeito a qualquer momento, embora a chapa Rede/PSOL tenha sido registrada no Tribunal Regional Eleitoral (TRE).

A sucessão estadual está polarizada entre os palanques da governadora Raquel Lyra (PSD), que busca a reeleição, e do ex-prefeito do Recife João Campos, presidente nacional do PSB. Os dois travam uma disputa acirrada, com diferença mínima nas pesquisas de intenção de voto.

Na tentativa de desequilibrar o jogo e liquidar a fatura ainda no primeiro turno, o PSB pressiona a direção nacional do PSOL a retirar a candidatura de Moraes. Em caso de negativa, o partido ameaça romper o apoio a candidatos pesolistas em Minas Gerais, Rio Grande do Sul e Santa Catarina.

As investidas do PSB se intensificaram a partir de julho. A cúpula do PSOL chegou a tentar convencer Ivan Moraes a desistir da candidatura, mas não teve sucesso. Na quarta-feira 12, dois integrantes da direção nacional do partido viajaram até o Recife para tratar do caso pessoalmente, mas a negativa do palanque local foi mantida.

Moraes não abre mão da disputa e diz estar com a campanha toda planejada. “A agenda está lotada, estou pronto para ir às ruas a partir do dia 16 e muito animado para participar dos debates”, afirma o candidato. “Não deveria interessar a ninguém que uma candidatura legítima como a nossa seja impedida de concorrer e não esteja nos debates. Eu confio na direção do PSOL para tomar a decisão correta”, completa.

O nome de Moraes, que foi vereador do Recife por dois mandatos, vem sendo construído para a disputa pelo governo de Pernambuco desde o ano passado e foi aprovado por unanimidade pela federação Rede/PSOL.

Nos estados usados pelo PSB como moeda de troca, o PSOL tem candidaturas competitivas ao Senado. No Rio Grande do Sul, o nome é o de Manuela D’Ávila, que integra a chapa de Juliana Brizola (PDT). Em Minas Gerais, Áurea Carolina disputa uma das vagas à Casa Alta ao lado de Marília Campos (PT), no palanque de Patrus Ananias (PT). Em Santa Catarina, o candidato é Afrânio Boppré, que integra a chapa de Gelson Merísio (PSB).

O PSOL nacional está dividido e, até o fechamento desta reportagem, ainda não havia reunião marcada para decidir o impasse, embora o tempo seja mínimo diante do limite do calendário eleitoral. Parte da legenda defende a manutenção da candidatura de Moares e outra parcela quer a retirada. Em Pernambuco, uma intervenção pode ter o efeito contrário. Se isso acontecer, além de descartar qualquer apoio a João Campos, parte da militância pesolista no estado ameaça apoiar Raquel Lyra.

Procurado pela reportagem, João Campos preferiu não se pronunciar. A direção nacional do PSOL também adotou o silêncio e informou que só se manifestará após a reunião que deverá definir o cenário de Pernambuco. A possibilidade de uma intervenção é real e, se confirmada, seria uma medida inédita na história do partido. “Nunca houve, não faz parte da cultura política interna”, dispara Moraes. “Estamos há meses viajando o estado e unificando o nosso campo. Estou pronto para colocar nosso bloco na rua e defender um outro projeto para Pernambuco”, acrescenta.

Segundo pesquisa Datafolha publicada no início de agosto, Ivan Moraes tem 1% de intenções de voto, figurando na terceira colocação. Raquel Lyra pontuou 48% e, João Campos, 43%, um empate técnico no limite da margem de erro, que é de três pontos percentuais. No levantamento da Quaest, divulgado no final de julho, a governadora aparece com 43% das intenções de voto e, o ex-prefeito do Recife, com 37%, novamente tecnicamente empatados. Moraes repete o mesmo percentual do Datafolha: 1%.

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