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Marina Nord: ‘O declínio da democracia nos EUA é impressionante’

A importância do movimento ultrapassa as fronteiras norte-americanas, diz a pesquisadora sueca: ‘Pode acontecer em qualquer país’

Marina Nord: ‘O declínio da democracia nos EUA é impressionante’
Marina Nord: ‘O declínio da democracia nos EUA é impressionante’
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Foto: Mandel Ngan/AFP
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A democracia nos Estados Unidos no segundo mandato de Donald Trump retrocedeu para níveis de 1965, afirmou a CartaCapital a pesquisadora sueca Marina Nord, uma das responsáveis por um amplo estudo publicado anualmente pelo instituto V-Dem, da Universidade de Gotemburgo.

O Democracy Report 2026 sustenta que as marcas da derrocada norte-americana são a expansão indevida dos poderes do governo — minando o Estado de Direito — e uma ampla intimidação da mídia e de vozes opositoras.

Segundo o estudo, a velocidade do desmonte da democracia nos Estados Unidos não tem precedentes na história moderna. Os direitos civis também estão em queda acelerada, chegando a níveis observados no fim dos anos 1960. Na mesma direção, a liberdade de expressão está em seu estágio mais baixo desde o fim da Segunda Guerra Mundial.

Diante desse cenário, os Estados Unidos perderam pela primeira vez em mais de 50 anos seu status de democracia liberal e receberam o carimbo de democracia eleitoral no Democracy Report.

O principal fator a impulsionar esse colapso, diz Marina Nord, é o enfraquecimento no sistema de freios e contrapesos institucionais.

A importância desse movimento, porém, ultrapassa as fronteiras norte-americanas, ressalta a pesquisadora. “Se isso pode acontecer nos Estados Unidos, pode acontecer em qualquer país do mundo”, resume. “Se os Estados Unidos não se importam mais com direitos e princípios democráticos fundamentais, por que outros países deveriam se importar?”

Há outros efeitos diretos, acrescenta Nord. Ela cita como exemplo o desmantelamento da USAID, a agência de ajuda externa dos Estados Unidos. O país repassava mais de 2 bilhões de dólares anualmente por meio dessa iniciativa, fundamental para diversos países.

“Existe também a disseminação de normas autocráticas por meio das organizações internacionais, porque os Estados Unidos são, obviamente, um dos principais atores, e o que vemos agora no mundo é esse equilíbrio global de poder em transformação.”

Assista à entrevista:

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