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Mapa da Burocracia no Brasil: veja onde mais se demora para abrir uma empresa

Levantamento mostra recorde de novos negócios em 2025, gargalos em São Paulo e caminhos mais rápidos para formalizar empresas pelo País

Mapa da Burocracia no Brasil: veja onde mais se demora para abrir uma empresa
Mapa da Burocracia no Brasil: veja onde mais se demora para abrir uma empresa
Burocracia leva um terço das micro e pequenas indústrias à informalidade
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Abrir uma empresa no Brasil leva de sete horas a mais de 34 horas, dependendo do estado, diferença de 386% entre as unidades federativas mais rápidas e as mais lentas. É o que aponta o Mapa da Burocracia no Brasil, estudo da Adobe Acrobat que analisou o processo de formalização empresarial em todos os estados durante o segundo quadrimestre de 2025 e o volume de aberturas ao longo do ano completo.

Mesmo com avanços na digitalização dos serviços públicos, a burocracia continua desigual pelo País. O levantamento cruza dados oficiais para mostrar onde o processo anda rápido, onde ele trava e por que essas diferenças persistem entre regiões.

Burocracia varia 386% entre estados

O Brasil registrou 5,1 milhões de novos negócios formalizados em 2025, segundo levantamento anual do Sebrae em parceria com a Receita Federal, publicado em janeiro de 2026. É o maior volume da série histórica, com crescimento de 18,6% em relação ao ano anterior.

Apesar do recorde, a burocracia segue distribuída de forma desigual. O tempo médio nacional para abertura de empresas foi de 21 horas no segundo quadrimestre de 2025, considerando exclusivamente o processamento dos órgãos públicos em duas etapas: a análise de viabilidade, quando prefeitura e Junta Comercial avaliam nome empresarial, CNAE e endereço, e o registro, quando os documentos são arquivados e o CNPJ é emitido pela Receita Federal.

Ainda assim, embora a média oficial seja de 21 horas, o processo completo para uma empresa começar a operar pode levar entre 30 e 45 dias, sobretudo em atividades sujeitas a licenciamento específico.

Abertura de empresas bate recorde em 2025

Nos últimos anos, o tempo médio de abertura caiu de 29 horas em 2023 para 21 horas em 2025, redução de 28% em dois anos. Porém, os três últimos quadrimestres mantiveram a média estável em 21 horas, sinal de que os ganhos trazidos pela digitalização já foram, em boa parte, capturados.

Para reduzir ainda mais o tempo de abertura, o País vai depender de mudanças estruturais mais profundas, além dos ajustes pontuais já feitos nos sistemas digitais.

Sul e Nordeste lideram a agilidade

As regiões Sul e Nordeste aparecem como as mais rápidas do País para abrir empresas. No Sul, o resultado está ligado à eficiência dos processos administrativos locais. Já no Nordeste, o destaque vai para Piauí e Sergipe, ambos com média de sete horas, e para a Bahia, com dez horas.

O diferencial desses estados está na integração digital entre prefeituras e a Redesim, sistema nacional responsável por simplificar o registro empresarial. Nos municípios de Barras e Piracuruca, no Piauí, a viabilidade é aprovada de forma automática, sem intervenção humana, o que reduz o tempo total para 43 e 52 minutos, respectivamente.

Em contraste, muitas cidades grandes ainda dependem de validação manual em alguma etapa do processo, o que gera atrasos independentemente da demanda. Sete dos dez municípios mais lentos do País estão em São Paulo, reforçando a hipótese de sobrecarga regional.

Burocracia trava mais em São Paulo

São Paulo tem o maior tempo médio do País para abrir empresa, cerca de 34 horas, e ocupa a última posição no ranking nacional de velocidade. O estado também lidera o volume de novos negócios, com aproximadamente 494 mil aberturas no segundo quadrimestre de 2025.

O gargalo paulista não está na burocracia em si, mas na capacidade operacional da Junta Comercial para acompanhar a demanda. A etapa de viabilidade leva apenas cinco horas, uma das mais rápidas do País, mas o registro empresarial, quando os documentos são arquivados e o CNPJ é emitido, chega a um dia e cinco horas. Com isso, o tempo total soma um dia e dez horas, o pior resultado entre os 27 estados.

Já o Rio de Janeiro aparece com 21 horas, tempo igual à média nacional, mas ainda distante dos primeiros colocados do ranking.

MEI segue como porta de entrada mais rápida

Os pequenos negócios seguem liderando o empreendedorismo brasileiro. Em 2025, Microempreendedores Individuais, microempresas e empresas de pequeno porte responderam por cerca de 96% de todas as aberturas do País. Sozinho, o MEI somou 3,8 milhões de registros no período.

Ao contrário do processo de abertura de empresas convencionais, o modelo Microempreendedor Individual é digital, rápido e gratuito. A formalização é feita pela internet, por meio do serviço Formalize-se, disponível na página inicial do Portal Gov.br. As inscrições no CNPJ, na Junta Comercial e no INSS saem imediatamente ao fim do processo.

A comprovação da inscrição vem por um documento, o Certificado da Condição de Microempreendedor Individual, o CCMEI, que também dispensa alvará e licença de funcionamento e autoriza o início imediato da atividade.

Documentos exigidos para abrir uma empresa

Para se formalizar como MEI, o empreendedor precisa de conta Gov.br em nível prata ou ouro, no caso de brasileiros, ou nível bronze, no caso de estrangeiros, além de RG, dados de contato e informações sobre o tipo de atividade, a forma de atuação e o local do negócio.

Já para abrir uma empresa convencional, os documentos variam conforme o porte e a atividade, mas costumam incluir RG e CPF dos sócios, comprovante de residência atualizado, certidão de casamento quando for o caso, comprovante da última declaração de Imposto de Renda, comprovante de endereço e IPTU do imóvel usado pela empresa. Também é preciso apresentar a definição da atividade econômica e o capital social, além de contrato social, alvarás e licenças de funcionamento, quando exigidos pelo segmento.

Com o processo cada vez mais digital, plataformas como o assistente de inteligência artificial da Adobe ajudam donos de pequenas e grandes empresas a organizar, assinar e gerenciar esses documentos com mais agilidade.

Burocracia recua, mas sobrevivência é desafio

Apesar do recorde de novas empresas, o encerramento de negócios também segue elevado. Segundo o Sebrae, cerca de um terço dos MEIs abertos entre 2017 e 2022 encerrou as atividades em até cinco anos, com taxa de mortalidade de 29%, acima da registrada entre microempresas e empresas de pequeno porte.

Minas Gerais apresentou a maior taxa de mortalidade entre os estados, enquanto Amazonas e Piauí registraram os menores índices, de 22%.

Assim, o gargalo do ambiente de negócios no Brasil já não está tanto na burocracia da abertura, simplificada pela digitalização da Redesim, mas na capacidade de manter as empresas ativas. Abrir um negócio ficou mais simples; sustentá-lo continua sendo o maior desafio.

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