Política
Por que as pesquisas online podem estar superdimensionando o desempenho de Renan Santos na corrida eleitoral
Variações no desempenho do líder do MBL em levantamentos pela internet, presenciais e por telefone impõem cautela na análise dos dados
O candidato à Presidência Renan Santos (Missão) tem um desempenho sui generis nas intenções de voto: vai consideravelmente melhor nas sondagens pela internet, em comparação com aquelas presenciais ou por telefone.
Em uma pesquisa online divulgada pela Palver nesta segunda-feira 10, o líder do MBL é o terceiro colocado no primeiro turno, com 10% — oito pontos percentuais à frente de Ronaldo Caiado (PSD), o quarto. Lula (PT), com 44%, tem a liderança numérica, tecnicamente empatado com Flávio Bolsonaro (PL), que marca 40%.
Na mais recente rodada do AtlasIntel, também realizada pela internet e publicada em 29 de julho, Renan já havia aparecido em terceiro, com 7,8% da preferência — Caiado, o quarto, tinha 3,1%. Lula liderava com 44,9% e Flávio registrava 35,8%.
Outra pesquisa lançada nesta segunda-feira, a partir de entrevistas por telefone, apresenta um cenário diferente. Segundo o instituto Nexus, Lula lidera o primeiro turno com 40%, seguido por Flávio (35%), Caiado (5%), Renan (4%), Romeu Zema (Novo, 3%) e Samara Martins (UP, 2%). Neste caso, o representante da Missão surge tecnicamente empatado com seus oponentes na “terceira via”.
Divulgado em 5 de agosto, um levantamento da Quaest indicou um desenho semelhante: Lula com 39%, seguido por Flávio (30%), Renan (4%), Caiado (4%) e Zema (2%). Neste caso, as entrevistas foram presenciais.
Já no mais recente Datafolha (presencial), de 24 de julho, Renan tinha apenas 3%, contra 4% de Caiado, 32% de Flávio e 40% de Lula.
Estatístico e referência na análise metodológica de pesquisas, Raphael Nishimura afirmou ser necessário avaliar com ressalvas os 10% de Renan Santos na sondagem Palver. Segundo ele, o método de recrutamento de respondentes por meio de anúncios patrocinados em plataformas da Meta pode levar a uma distorção: pessoas mais engajadas politicamente, principalmente no ambiente digital, têm maior probabilidade de clicar e responder a essa pesquisa.
Um dos exemplos, diz Nishimura, é o índice de indecisos na modalidade espontânea da Palver: apenas 4%. Na estimulada, em que o instituto lista aos entrevistados os nomes dos candidatos, os indecisos não chegaram sequer a 1%. Comparação: na sondagem Nexus/BTG Pactual (por telefone), 19% não sabem ou não responderam na modalidade espontânea — na estimulada, foram 3%.
E o que isso diz sobre Renan? Sua militância é formada exatamente por esses eleitores extremamente engajados no meio digital, explica Nishimura. E isso, ao que tudo indica, se reflete em pesquisas baseadas no recrutamento online.
Segundo ele, a Palver buscou mecanismos para mitigar os efeitos desse tipo de recrutamento, mas o algoritmo da Meta é efetivo na distribuição dos posts patrocinados entre esse público.
Há, portanto, um problema resistente a diversos ajustes estatísticos para reduzir o viés de autoseleção. Questionado por CartaCapital se há formas mais eficientes de superar esse obstáculo, disse que os caminhos são provavelmente limitados e insuficientes para deixar de ler com ressalvas os resultados.
“A Palver reconhece publicamente isso e está empenhada em aprimorar a metodologia, mas acho que há um limite do que possa fazer para melhorar isso”, resumiu.
Um novo teste para Renan Santos em uma pesquisa presencial acontecerá nesta terça-feira 11, com a divulgação da próxima rodada CNT/MDA.
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