Esporte
Uefa, Concacaf e AFC publicam carta conjunta com críticas a Gianni Infantino
O presidente da Fifa está sob forte pressão internacional após apresentação de uma proposta de venda abertura da entidade a investimentos privados
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, voltou a ser criticado nesta segunda-feira 10 com a publicação de uma carta conjunta de três confederações continentais, Uefa, Concacaf e AFC, que enfatizam que o futebol “não pertence a nenhum indivíduo”, no mais recente capítulo da grande crise na entidade.
“A liderança no futebol não é uma posse. Não se trata de deter – ou exigir – o poder para si próprio”, afirmam as três confederações na carta.
“Quando a confiança é rompida por meio do engano, quando um indivíduo se coloca acima do coletivo que lhe confiou autoridade, este dever foi abandonado”, acrescentam as três confederações em uma “carta aberta à família do futebol”.
Confederações divididas
O texto não é assinado pelos dois grandes apoios que Infantino mantém: a CAF (África), que tem 54 federações nacionais, a influente Conmebol, com 10 federações, entre elas Brasil e Argentina, nem a modesta OFC da Oceania, com 13 países associados.
Até o momento único candidato declarado, Infantino precisa obter a maioria dos 211 votos dos membros da entidade para ser reeleito em março, para um novo mandato de quatro anos. Ele comanda a Fifa desde 2016.
De fato, a Fifa ressaltou o apoio da CAF e da Conmebol no início de seu último comunicado, publicado no sábado, quando saiu em defesa de seu presidente.
No texto, a entidade denunciou “um esforço contínuo e orquestrado por parte de alguns para minar a entidade e seu presidente”.
Um dia antes, o jornal britânico Telegraph publicou que Infantino, secretário-geral da Uefa de 2009 a 2016, teria utilizado seu poder para garantir a promoção de uma funcionária da entidade com a qual mantinha uma relação íntima.
O jornal, que não cita suas fontes, relata que a funcionária, após ser promovida na Uefa, recebeu uma “indenização de seis dígitos” ao deixar o cargo, em ano não especificado, além do pagamento de despesas de um curso em uma escola de negócios, no valor de cerca de 50 mil euros (cerca de 292 mil reais na cotação atual).
Procurada pela AFP, a confederação europeia admitiu “que foi feito um pagamento” na ocasião, “acompanhado da quitação das despesas de um programa de MBA em uma escola de negócios local”.
A crise no mundo do futebol começou com a revelação, no fim de julho, do controverso projeto de Infantino, posteriormente abandonado, de abrir a Fifa para investidores privados.
Na quarta-feira, o ítalo-suíço organizou uma reunião de crise no Marrocos que terminou com “total apoio” da direção da Fifa ao seu presidente e “pedidos de desculpas pelos erros” relacionados à tomada de decisões no projeto de privatização.
“Não foi nossa intenção que o Conselho nem as associações-membro se sentissem excluídos do processo, que deveria ter sido conduzido de outra maneira”, afirmou a instituição em um comunicado divulgado ao fim do encontro.
Boicote à Copa
A Uefa, que lidera as críticas a Infantino, mantém a ameaça de boicotar as Copas do Mundo, por considerar insuficiente a simples retirada do projeto polêmico e os “pedidos de desculpas” apresentados pela Fifa.
A carta enviada pela entidade mundial às 211 federações que integram a Fifa “apresenta isso como uma falha de comunicação, quando o que o futebol testemunhou foi uma falha de julgamento”, uma “ruptura fundamental da confiança em relação às próprias instituições às quais a FIFA existe para servir”, lamentam Uefa, Concacaf e AFC em sua carta conjunta.
“Não se trata de dinheiro. As confederações já solicitaram uma distribuição responsável das vastas reservas existentes da Fifa para reforçar ainda mais o investimento no desenvolvimento das federações-membro”, explica o texto.
“Há silêncio onde deveria haver prestação de contas, distância onde deveria haver transparência. Não são as qualidades que o futebol merece encontrar em sua liderança”, denuncia a carta assinada pelos presidentes e secretários-gerais das três confederações.
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