Política
Debate na ‘Band’ é a 1ª grande chance para Haddad desconstruir Tarcísio
Em desvantagem nas pesquisas, o candidato do PT aposta no confronto direto para alterar as peças no xadrez paulista
O governador de São Paulo e candidato à reeleição, Tarcísio de Freitas (Republicanos), e seu principal adversário, o ex-ministro da Fazenda Fernando Haddad (PT), estarão frente a frente neste domingo 9, às 20h, no primeiro debate de 2026, promovido pela TV Band. A campanha só começará oficialmente em 16 de agosto, mas o encontro já tem atmosfera de segundo turno — mesmo que os candidatos ainda não possam sequer pedir votos.
Haddad e Tarcísio são os dois únicos postulantes competitivos na corrida. Kim Kataguiri (Missão) e Paulo Serra (PSDB), que poderiam disputar com o governador parte dos votos da direita, desistiram de concorrer ao Palácio dos Bandeirantes. Assim, o primeiro grande desafio do petista é assegurar que o pleito não termine no primeiro turno.
Em desvantagem nas pesquisas de intenção de voto, Haddad confirmou com antecedência sua participação no debate da Band. Tarcísio, por outro lado, assegurou sua participação apenas na última terça-feira 4. A demora para anunciar uma decisão resulta de um cálculo político sobre vantagens e desvantagens desse tipo de encontro — no plano presidencial, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) também mantêm o suspense.
Diante da consolidação das redes sociais como uma grande arena política, também reaparecem os questionamentos sobre a importância dos debates. Sociólogo e diretor do Instituto Vox Populi, Marcos Coimbra afirma que a discussão sobre a relevância dos programas não ocorre apenas no Brasil e que o impacto desses encontros diminuiu desde o histórico embate entre Lula e Fernando Collor na TV Globo em 1989.
Desde então, diz Coimbra, a audiência fica cada vez mais restrita às parcelas mais politizadas e informadas da sociedade, menos sujeitas a mudar de ideia sobre o voto na última hora. “Na primeira eleição moderna, de Collor versus Lula, foi muito importante. Os níveis de audiência foram elevadíssimos e ajudaram muito a definir o voto na reta final.”
Segundo a Globo, o debate Collor x Lula registrou 66 pontos de audiência. Em 2022, o último encontro entre Lula e Jair Bolsonaro (PL) rendeu à emissora 29 pontos, conforme medição do Painel Nacional de Televisão nas 15 principais metrópoles do País.
Não há consenso entre cientistas políticos, porém, sobre a irrelevância dos debates. Emerson Cervi, da Universidade Federal do Paraná, reforça que essas são as únicas ocasiões em que um candidato pode confrontar diretamente um oponente e construir suas imagens, posições e propostas — além de desconstruir as estratégias de seu adversário.
A comunicação nas campanhas eleitorais modernas se organiza em três formatos, explica Cervi: o horário eleitoral gratuito, produzido pela equipe do candidato, sem intervenção externa; o conjunto de notícias, entrevistas e programas como podcasts, os quais envolvem figuras alheias à disputa eleitoral; e os debates, com embate direto em condições próximas à igualdade.
Tarcísio de Freitas inicia a campanha como favorito, de acordo com levantamentos. Uma sondagem do instituto Quaest divulgada em 29 de julho mostra o governador com 41% das intenções de voto no primeiro turno, ante 26% de Haddad. Em uma simulação de embate no segundo turno, o bolsonarista vence por 48% a 32%.
Diante do cenário negativo nas pesquisas, o candidato do PT confia no debate para começar a minar o governador nas áreas mais sensíveis. “Estamos indo para trás”, disse Haddad em um evento em 18 de julho. “A escola pública está indo para trás. A conta d’água e o serviço d’água estão piorando. A questão da segurança, sobretudo das mulheres, está piorando.”
Um discurso enfático sobre segurança pública é uma das estratégias, especialmente para romper o cinturão antipetista que domina vastas regiões do estado. Uma das apostas para isso é a presença de Geraldo Alckmin (PSB), quatro vezes governador paulista e figura com penetração no interior. Em 2022, Tarcísio ocupou esse espaço que por décadas foi associado ao PSDB.
O ex-ministro da Fazenda retorna à arena eleitoral sob o peso de três derrotas marcantes. Em 2022 para Tarcísio no segundo turno em São Paulo, por 55% a 45%; em 2018 para Jair Bolsonaro (PL) no segundo turno da disputa presidencial, por 55% a 45; e em 2016, ainda no primeiro turno, em sua busca pela reeleição para prefeito da capital paulista – João Doria marcou 53%, ante 17% de Haddad.
Um desempenho robusto de Haddad também seria fundamental para a reeleição de Lula: São Paulo é o maior colégio eleitoral do País, com mais de 34 milhões de eleitores. Há quatro anos, Lula perdeu para Jair Bolsonaro no estado por 55% a 45%, mas ainda assim amealhou 11,5 milhões de votos, parcela decisiva para sua vitória nacional.
As regras do debate
Segundo a Band, o programa contará com perguntas temáticas dos mediadores, confrontos diretos entre os debatedores e rodadas de questionamentos conduzidas por jornalistas.
No início, os candidatos responderão a questões temáticas formuladas pelos âncoras. Cada participante terá dois minutos para a resposta, seguindo a ordem definida em sorteio.
Já nas rodadas de perguntas de jornalistas ou nos confrontos diretos, os questionamentos durarão um minuto. O candidato a responder terá quatro minutos para administrar livremente entre a sua resposta e a tréplica.
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