Do Micro Ao Macro
Varejo deve movimentar R$ 8,52 bilhões no Dia dos Pais
Especialista em tributação da Mix Fiscal explica o que está por trás do avanço nas vendas e como o consumidor pode economizar na data
O varejo brasileiro deve movimentar R$ 8,52 bilhões no Dia dos Pais em 2026, segundo projeção da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo, a CNC. O número representa avanço real de 2,9% frente a 2025, já descontada a inflação, e mantém a data na quarta posição do calendário do comércio em movimentação financeira.
Lojas de roupas, calçados, perfumarias, comércio eletrônico, restaurantes e supermercados costumam sentir o impacto da data no caixa. No ano passado, segundo o Índice Cielo, o faturamento do varejo cresceu 5,9% na semana do Dia dos Pais. Na internet, o avanço chegou a quase 9%.
Fabrício Tonegutti, especialista em direito tributário pela Fundação Getúlio Vargas e diretor da Mix Fiscal, empresa com 20 anos de atuação em inteligência tributária para o varejo, avalia que o cenário deste ano segue moderado. “Para este ano, a expectativa é positiva, mas sem explosão de consumo. Os juros e o endividamento devem limitar os presentes mais caros”, pontua.
No varejo alimentar, a cesta do Dia dos Pais cresceu 8,2% em faturamento no ano passado, mas apenas 1,1% em quantidade vendida. Para Tonegutti, o descompasso entre os dois números merece atenção. “Entrou mais dinheiro no caixa, sem aumento proporcional dos produtos vendidos. Faturamento maior nem sempre significa carrinho mais cheio. Às vezes, significa apenas que o mesmo churrasco ficou mais caro”, afirma.
Varejo alimentar amplia oferta para a data
Segundo Tonegutti, os supermercados podem vender a ocasião completa quando a comemoração acontece em casa. “Pode reunir carne, linguiça, pão de alho, farofa, carvão, gelo e bebidas, além de criar combos para quatro ou oito pessoas. A padaria entra com sobremesas e acompanhamentos. A perfumaria, com kits de barbear”, explica.
Café, chocolate, vinho, whisky e utensílios para churrasco também entram na lista de possíveis presentes, segundo o especialista. “Muita gente chega pensando apenas na carne e sai com tudo aquilo que, misteriosamente, se torna indispensável para o churrasco”, observa.
A conveniência pesa na decisão de compra. “O consumidor quer resolver o presente e o almoço sem passar por cinco lojas. Por isso, funcionam kits prontos, combos com preço fechado, desconto no Pix e produtos relacionados expostos no mesmo espaço. Para o cliente, é praticidade. Para o supermercado, é uma compra maior”, ressalta Tonegutti.
Consumidor deve planejar gasto para evitar dívida
Do lado de quem compra, o especialista recomenda cautela antes de escolher o presente. “Para não terminar em dívida no cartão, defina o orçamento antes de escolher o presente e olhe o preço total, não apenas a parcela”, enfatiza.
Os números do ano passado reforçam o alerta. Entre os consumidores que pretendiam presentear, 35% já tinham contas atrasadas, e 13% poderiam deixar uma conta sem pagar para comprar o presente, segundo Tonegutti.
Ainda assim, parcelar pode fazer sentido dentro do planejamento. “Parcelar o presente pode fazer sentido. Parcelar carne, carvão e sobremesa deixa o churrasco de domingo pesando na fatura até o Natal”, completa o especialista.
Com o avanço projetado pela CNC e os alertas sobre endividamento, o varejo brasileiro chega ao Dia dos Pais de 2026 com expectativa de crescimento moderado e consumidores mais atentos ao próprio bolso.
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