Fora da Faria
Uma coluna de negócios focada na economia real.
Fora da Faria
Uma mudança no mercado começa a acontecer. E você vai sentir na pele
Marcas de skin care da China e da Coréia do Sul começam uma escalada global de crescimento. E o Brasil está no foco desses países
Há vinte anos, o mapa global do skin care parecia desenhado em Paris, Nova York e, em menor escala, Milão. A indústria americana vendia eficiência. As marcas francesas falavam de luxo e ritual. Hoje, esse eixo já não basta para explicar o mercado. A China e a Coreia do Sul passaram de coadjuvantes a centros de influência. Essa mudança já aparece no Brasil, onde marcas asiáticas ocupam gôndolas, marketplaces, farmácias, perfumarias e operações próprias com crescente naturalidade.
A Coreia do Sul foi a primeira a transformar beleza em ecossistema de inovação. O país combinou cultura pop, disciplina industrial e pesquisa em biotecnologia para criar o fenômeno K-beauty. O segmento hoje exporta mais do que maquiagem e cremes e constrói um ecossistema de comunicação. As exportações sul-coreanas de cosméticos ficaram, em 2025, 11 bilhões de dólares. Marcas como Sulwhasoo, Laneige, COSRX, Medicube, Skin1004, Beauty of Joseon e Round Lab globalizaram uma linguagem que vende tecnologia e colhem os frutos de uma estética que hoje está presente no treaming e nos grandes eventos mundiais, como a presença do BTS no encerramento da Copa do Mundo de futebol.
A estratégia de marketing e a formulação coreana se tornaram diferenciais. Ingredientes como centella asiática, ginseng, retinal, mucina de caracol, peptídeos e ativos fermentados ganharam espaço porque entregam o que o consumidor atual quer: eficácia percebida com experiência sensorial. A Coreia também aproximou cosmético de dermatologia, com inovações antes restritas a clínicas migrando para o varejo em versões mais acessíveis. Isso ajudou a explicar por que a beleza coreana se expandiu além da Ásia e passou a disputar prateleira com nomes ocidentais em mercados maduros como Estados Unidos, Europa e América Latina.
A China seguiu uma lógica diferente, mas igualmente poderosa. Investiu em escala, velocidade de desenvolvimento e sofisticação estética. O país já é o segundo maior mercado de cosméticos do mundo. O mercado chinês de beleza e cuidados pessoais foi estimado em 69,7 bilhões de euros em 2024.
Marcas chinesas como Florasis e Judydoll ajudaram a mudar a percepção internacional sobre o que é cosmético do país. A Florasis apostou em embalagens com aparência de joia, inspiração na medicina tradicional chinesa e narrativa cultural forte. A Judydoll cresceu com produtos virais, preço competitivo e formulações desenhadas para redes sociais e consumo rápido, com expansão internacional de 400% em 2024. Não é só beleza: é design, cultura material e distribuição digital como estratégia de poder.
No Brasil, essa transformação já deixou de ser tendência distante. Marcas como dos dois países vêm ganhando espaço por meio de importadores e redes especializadas. Segundo dados do setor, marcas asiáticas já respondem por 14% das vendas de cosméticos no país, e as importações brasileiras de skin care coreano cresceram 57% entre 2023 e 2024. É um número pequeno para quem olha do alto, mas grande o suficiente para mostrar uma mudança estrutural: o consumidor brasileiro também aprendeu a buscar inovação fora do eixo tradicional.
A força de China e Coreia no mercado mundial de cosméticos não vem de um golpe de sorte, mas da combinação entre ciência, cultura e leitura precisa do consumidor. Quando o setor ocidental apostava em autoridade de marca, os asiáticos apostaram em formulação, repertório cultural e velocidade. O resultado está aí: o skin care global ficou mais fragmentado e muito mais competitivo. E o Brasil, que tem, muita aderência ao tema e uma população grande o bastante para fazer parte do desejo de exportação de qualquer marca, encontra oportunidades. Se antes as marcas americanas e francesas dominavam as perspectivas de consumo, hoje as chinesas e coreanas ganham credibilidade e as gôndolas, Impulsionadas pelo reposicionamento das indústrias desses países que ganharam a percepção de qualidade e os fenômenos culturais, mercado brasileiro pode estar na fronteira de uma nova mudança.
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