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Incêndios chegam à Grécia, e Hungria sofre com seca

Chamas destruíram dezenas de casas no noroeste de Atenas. Na Hungria, falta de água forçou governo a desligar usina nuclear, deixando o país à beira de uma crise energética

Incêndios chegam à Grécia, e Hungria sofre com seca
Incêndios chegam à Grécia, e Hungria sofre com seca
Bombeiros atuam para tentar conter o fogo na região de Atenas – foto: Angelos Tzortzinis/AFP
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A Grécia enfrentava múltiplas frentes de incêndio neste domingo 2, com um número crescente de áreas destruídas após uma semana de queimadas que devastaram mais de 12 mil hectares de florestas e terras agrícolas, segundo especialistas.

O monitor climático meteo.gr, do Observatório Nacional da Grécia, informou que estimativas iniciais indicavam que mais de 6,5 mil hectares haviam sido destruídos por incêndios distintos na região do Golfo de Corinto, que também atingiram a popular vila costeira de Porto Germeno, cerca de 70 quilômetros a noroeste de Atenas.

Porto Germeno e outras localidades foram evacuadas quando o incêndio começou na sexta-feira, mas as autoridades locais afirmam que dezenas de casas foram danificadas ou destruídas. Ali, quase 500 bombeiros atuam no combate às chamas.

As chamas são impulsionadas por fortes rajadas de vento, que chegaram a impedir a coleta e o despejo de água por aviões.

Depois de incêndios nas ilhas de Creta e Paros no início da semana, um novo incêndio surgido no fim da noite de sábado na ilha de Cefalônia, no mar Jônico, forçou evacuações no popular destino turístico.

Os bombeiros têm enfrentado dezenas de incêndios diariamente, e o ministro da Proteção Civil da Grécia, Evangelos Tournas, afirmou no sábado que o corpo de bombeiros foi “levado ao limite”.

Três bombeiros morreram em serviço nesta semana: dois em Creta e um no Peloponeso.

A Europa tem sido devastada por incêndios florestais neste verão, após um período de ondas de calor recorde e pouca chuva, condições que cientistas afirmam terem sido agravadas pelas mudanças climáticas.

Incêndios destrutivos na França e na Espanha deram sinais de enfraquecimento durante o fim de semana, mas vários focos surgiram na Grécia após um período de relativa tranquilidade no país.

Na vila de Agios Konstantinos, a 164 quilômetros de Atenas, moradores faziam o possível para conter o avanço das chamas.

“O incêndio queima desde a noite passada. É certo que eles não conseguem ter equipes em todos os lugares. Nós, moradores, estamos fazendo tudo o que podemos”, disse à agência de notícias AFP Tasos Tzempelikos, de 61 anos, que jogava água sobre o fogo ao lado do filho.

Incêndios dão trégua na França e na Espanha

O maior incêndio florestal da França continuava contido depois que 224 mil pessoas foram forçadas a fugir, no que pode ter sido a maior evacuação em tempos de paz da história do país. Ainda assim, focos ativos continuavam queimando em uma área de 420 quilômetros quadrados de floresta consumida pelas chamas em apenas dez dias.

Milhares de pessoas permaneciam impossibilitadas de voltar para casa, e quase 3 mil bombeiros estavam mobilizados para combater o megaincêndio em Gironde e um segundo incêndio na Provença que havia parado de avançar, mas ainda não estava totalmente controlado.

O primeiro-ministro francês, Sébastien Lecornu, afirmou que os incêndios florestais estavam, de modo geral, sob controle, mas alertou que as condições permaneciam altamente instáveis.

Somente os incêndios na França e na Espanha forçaram mais de 300 mil pessoas a deixar suas casas e locais de férias, esvaziaram comunidades em pleno verão europeu e sobrecarregaram bombeiros, aeronaves e serviços de emergência, obrigados a lidar com vários desastres simultaneamente.

A crise ocorre no continente que mais aquece no mundo. A Europa tem registrado um aumento de temperatura superior ao dobro da média global desde os anos 1980, segundo o Serviço de Mudanças Climáticas Copernicus, da União Europeia.

Temperaturas mais altas e secas prolongadas tornam florestas e áreas de vegetação mais secas e inflamáveis, permitindo que os incêndios se espalhem mais rapidamente e queimem com maior intensidade.

Seca na Europa força Hungria a economizar energia

Outros países europeus também enfrentam seca e a redução dos níveis de água em grandes rios, incluindo o Reno e o Danúbio, que registrou os menores níveis já observados na Hungria, Sérvia e Romênia.

A Hungria enfrenta cinco dias críticos, afirmou neste domingo o primeiro-ministro Peter Magyar, já que o esvaziamento do Danúbio forçou a única usina nuclear do país a interromper suas operações pela primeira vez em mais de quatro décadas, enquanto uma nova onda de calor se aproxima.

O premiê húngaro fez um apelo nas redes sociais pedindo às empresas, governos locais e moradores que reduzam seu consumo de energia significativamente nas horas de pico da noite.

A queda dos níveis de água devido à falta de chuvas também prejudicou o transporte fluvial e o turismo na Hungria, além de provocar restrições ao uso de água em mais de 100 cidades e vilarejos.

Na Sérvia, o nível do Danúbio caiu ao ponto mais baixo desde 1985, reduzindo a produção diária da maior usina hidrelétrica do país para apenas 20% da capacidade, informou o ministro da Energia neste domingo.

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