Do Micro Ao Macro
Prato feito fica 13% mais caro em restaurantes do Centro de SP
Pesquisa do Procon-SP em parceria com o Dieese mostra alta acima da inflação em 350 estabelecimentos da capital paulista.
Arroz, feijão, salada e uma proteína ficaram mais caros na região do Centro de São Paulo. O preço médio do prato feito na área subiu 12,88% em um ano, passando de R$ 35,18 para R$ 39,71 entre junho de 2025 e junho de 2026. A alta é a maior entre as cinco regiões da capital paulista, segundo levantamento sobre preços em restaurantes.
Realizada pelo Procon-SP em parceria com o Dieese, a pesquisa ouviu 350 estabelecimentos distribuídos pela capital. No conjunto da cidade, o preço médio do prato feito em 192 locais avaliados nos três levantamentos passou de R$ 37,18 para R$ 39,10, alta de 5,16% em 12 meses. O percentual fica acima da variação de 4,57% registrada pelo INPC-IBGE no mesmo período.
Além do Centro, outras regiões também tiveram aumento superior ao índice oficial de inflação. A Zona Norte registrou alta de 8,67% no preço do prato feito em 12 meses, seguida pela Zona Sul, com 5,50%. Leste e Oeste tiveram variações menores, de 4,59% e 2,74%, respectivamente.
Self-service por quilo também sobe
O levantamento acompanha ainda o preço da refeição self-service por quilo, modalidade recorrente entre trabalhadores em horário de almoço. Considerando os 49 restaurantes presentes em todas as pesquisas realizadas desde 2020, o preço médio passou de R$ 88,01 para R$ 94,11 em um ano, variação de 6,93%.
Somente entre fevereiro e junho de 2026, o aumento chegou a 3,30%. Desde o início da série histórica, em janeiro de 2020, o preço acumula alta de 71,48%, quase o dobro da inflação medida pelo INPC-IBGE no período, de 43,78%.
Restaurantes por região
Cada região da capital concentra um comportamento próprio de preços. A Zona Oeste tem os valores médios mais altos tanto para o prato feito, a R$ 46,64, quanto para o self-service por quilo, a R$ 97,70. Já os preços mais baixos aparecem na Zona Leste para o prato feito, a R$ 30,87, e na Zona Norte para o self-service por quilo, a R$ 79,88.
Essa diferença entre regiões repete um padrão observado em pesquisas anteriores do Procon-SP, ligado à renda local, ao custo dos aluguéis comerciais e à concorrência entre estabelecimentos de cada bairro.
Amostra cobre cinco regiões da capital
Iniciada em janeiro de 2020, a pesquisa é feita a cada quatro meses com base em amostra de 350 restaurantes distribuídos pelas cinco regiões do município. O levantamento reúne diferentes formas de comercialização das refeições, entre elas o self-service por quilo, o self-service a preço fixo, o prato feito ou prato do dia e o prato executivo de frango.
Considerando os dados apurados em junho de 2026, independentemente do tempo de atividade de cada estabelecimento, o preço médio do prato feito ficou em R$ 40,04 entre 224 locais pesquisados. O prato executivo de frango custou em média R$ 45,00 em 122 restaurantes. Já o buffet self-service por quilo saiu por R$ 89,34 em 143 locais, enquanto o self-service com preço fixo teve média de R$ 59,87 em 67 estabelecimentos.
Direitos do consumidor em restaurantes
O Procon-SP recomenda que o consumidor avalie o preço junto com a qualidade da refeição e as condições oferecidas pelo estabelecimento. Antes de fechar a conta, vale observar algumas regras.
A cobrança da gorjeta é opcional e precisa ser informada de forma clara pelo restaurante. O estabelecimento pode optar por não aceitar vale-refeição, mas, se divulgar essa aceitação em algum aviso, não pode recusar o pagamento nem impor restrições de valor, dia ou horário. Nenhum restaurante pode cobrar taxa de desperdício de quem deixa sobras no prato.
Nas refeições vendidas por quilo, o preço precisa aparecer por quilograma, com indicação do peso do prato vazio, e o valor cobrado deve corresponder ao mostrado na balança. Promoções por tempo limitado, por fim, precisam trazer a data de término da oferta de forma visível ao consumidor nos restaurantes participantes da amostra.
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