Augusto Diniz | Música brasileira
Jornalista há 25 anos, Augusto Diniz foi produtor musical e escreve sobre música desde 2014.
Augusto Diniz | Música brasileira
As pessoas estão mais preocupadas com o comércio do que com a arte, diz o rapper Kamau
O artista, que iniciou a carreira nos anos 1990, defende a essência transformadora do gênero
Marcus Vinicius Andrade e Silva, mais conhecido como Kamau, começou no rap em 1997, no grupo Consequência, sob a influência de Racionais MCs, DMN, Mente Zulu, Thaíde e DJ Hum. Ao mesmo tempo, interessou-se pelo que acontecia nos Estados Unidos — o que o motivou, inclusive, a aprender inglês.
A CartaCapital, Kamau afirmou que beber da fonte onde o rap nasceu foi fundamental para crescer — lançado em abril, seu mais recente trabalho fonográfico, o EP 4F, foi idealizado nos Estados Unidos.
Entre outros trabalhos solos do artista estão o clássico Nom Ducor Duco (2008), …Entre… (2012), Licença Poética (2015), Documentário (2024) e Est… (2024).
“Em minhas músicas, pego vivências, observação, coisas que ouvi. Compro disco quando posso para ‘samplear’. Tudo isso acaba refletido em minha música”, diz o artista.
Kamau é um dos rappers que lutam pelos princípios de transformação social e resistência do hip hop.
Segundo ele, porém, o rap está muito voltado ao imediatismo da comercialização musical. “A construção é muito mais individual. As pessoas estão mais preocupadas com o comércio do que fazer a arte da melhor maneira, sem foco na longevidade do trabalho.”
O rapper reconhece também que a temática mudou, mas considera necessário preservar a esperança. “Não é fácil se manter independente. Algumas pessoas acabam cedendo a pressões, muitas vezes por necessidade”, admite. “Mas tento manter a essência, e cada escolha minha é uma renúncia.”
Assista à entrevista de Kamau a CartaCapital:
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