Esporte
Aumenta oposição ao projeto de investimento privado da Fifa e Infantino fica sob pressão
Entre os potenciais investidores, os críticos revelaram a participação do fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump
A Confederação Asiática de Futebol (AFC) instou a Fifa nesta sexta-feira 31 a reconsiderar seu projeto de abertura ao investimento privado diante da rejeição da Uefa e da Concacaf, em uma polêmica que levou à renúncia do principal assessor de Gianni Infantino.
“Vender uma participação permanente no ativo mais valioso do futebol para levantar 4,2 bilhões de dólares não faz sentido. É hipotecar o futuro do futebol sem uma justificativa convincente”, declarou Carlos Cordeiro, ex-banqueiro americano no LinkedIn.
Sem se posicionar claramente contra a criação da Fifa Forward Enterprise (FFE) – empresa aberta à iniciativa privada que ficaria encarregada de administrar as atividades comerciais e de eventos da entidade máxima do futebol –, a AFC anunciou seu apoio à posição da Uefa e da Concacaf, também contrárias ao projeto, com o objetivo de “proteger a Copa do Mundo”.
O plano da Fifa, apresentado na terça-feira para surpresa geral, vem sendo muito criticado por seu conteúdo e pela forma como foi anunciado.
A Uefa, que reúne as 55 federações europeias e que acumula sete dos últimos dez títulos mundiais, ameaçou na quinta-feira, “por unanimidade”, não participar das próximas competições da entidade, incluindo a Copa do Mundo, se a Fifa não desistir do projeto.
A Concacaf, que agrupa as 41 federações da América do Norte, América Central e Caribe, também “rejeitou a proposta”. As confederações africana (CAF) e da Oceania (OCN) mostraram-se menos críticas e pediram aos seus membros que “examinassem” e “avaliassem” o projeto.
“Divisão sem precedentes”
“Levando em consideração a posição manifestada por Uefa e Concacaf, além das divisões sem precedentes que surgiram no mundo do futebol, a AFC considera que a FFE proposta não pode, de forma realista, alcançar o amplo consenso e a unidade necessários para avançar”, destacou a entidade asiática, que representa 46 federações membros da Fifa.
O projeto “evidenciou as fragilidades fundamentais do processo de consulta e de tomada de decisões da Fifa”, afirmou a Federação Asiática, pedindo à entidade máxima do futebol que proceda “com urgência a uma revisão de seu marco de governança”.
Por sua vez, a Fifa declarou nesta sexta-feira que “reconhece e respeita as opiniões e preocupações expressas publicamente” e reafirmou seu “compromisso de organizar uma consulta aberta e democrática”, para que cada federação “possa se pronunciar com base em fatos comprovados”.
Se a nova empresa for criada, investidores privados poderão ter ações da entidade, mas permaneceriam como minoritários, em torno de 20%, garantiu a instituição, que pretende arrecadar até 4,2 bilhões de dólares (21,3 bilhões de reais, na cotação atual), número calculado sobre um valor estimado da FFE de 20 bilhões de dólares (101,5 bilhões de reais).
Entre os potenciais investidores, os críticos revelaram a participação do fundo de investimento Thrive Eternal, criado por Joshua Kushner, irmão do genro de Donald Trump, mandatário com quem Infantino demonstrou proximidade antes e durante a Copa do Mundo de 2026.
“Uma espécie de chantagem”
A Fifa garante que manteria o controle exclusivo da FFE, assim como a “autoridade exclusiva” sobre a governança do futebol, competições, calendário e o regulamento.
Se o projeto for aprovado, cada uma das 211 federações-membro poderia receber um bônus extraordinário de 20 milhões de dólares (101,5 milhões de reais) no início de 2027, e este valor para o período de 2027 a 2030 passaria de 8 para 20 milhões de dólares (4 milhões para 101,5 milhões de reais).
“É uma espécie de chantagem”, destacou na sexta-feira a presidente da Federação Norueguesa, Lise Klaveness, avaliando que a entidade “não precisa desse dinheiro”.
Infantino insiste, por sua vez, que se trata de uma “ocasião de ouro para impulsionar o desenvolvimento do esporte em escala mundial”. O presidente busca uma reeleição em março de 2027 e, até então, é o único candidato ao cargo.
Para o primeiro-ministro do Reino Unido, Andy Burnham, Infantino “é a pessoa errada” para comandar a Fifa. Ele também definiu a FFE como “uma proposta escandalosa”.
A Fifa lançará o projeto apenas “se a maioria das associações-membro decidir apoiá-lo”, e as federações têm até 19 de setembro para decidir.
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