Política
Republicanos mergulha em crise com Cleitinho e expõe o caos das alianças em Minas
O partido anunciou que o senador está fora da disputa ao governo. Ele próprio, contudo, desmente a direção da legenda e reafirma que será candidato
O Republicanos transformou a disputa pelo governo de Minas Gerais em uma crise pública nesta quarta-feira 29. Em poucas horas, as direções nacional e estadual da legenda anunciaram que o senador Cleitinho não será candidato ao Palácio Tiradentes, oficializaram apoio a outro nome e viram a assessoria do próprio congressista desmentir tudo, insistindo que a candidatura está mantida. O episódio escancarou o racha interno da sigla às vésperas da definição dos palanques estaduais.
A crise teve início depois de o presidente nacional do Republicanos, Marcos Pereira, confirmar que Cleitinho estava fora da disputa na manhã desta quarta. Na sequência, as executivas estadual e nacional divulgaram uma nota conjunta afirmando que o partido aguardou durante meses uma definição do senador, adiou decisões estratégicas e articulou alianças para viabilizar sua candidatura, mas concluiu que ela nunca foi formalmente assumida.
O texto sustenta que a ausência do congressista na convenção estadual realizada no último sábado 25 “representou um fato político objetivo, que produziu consequências inevitáveis” e afirma que “o partido trabalhou duro para que essa candidatura pudesse acontecer”, mas faltou “a decisão inequívoca de quem deveria ser, em primeiro lugar, candidato de si mesmo”.
A posição da direção, porém, durou pouco sem contestação. Minutos depois, a assessoria de Cleitinho informou que o senador continua pré-candidato ao governo de Minas, contrariando publicamente a nota assinada pelo próprio partido.
A indefinição ganhou força nas últimas 24 horas justamente porque ocorreu após a divulgação da pesquisa Quaest sobre a sucessão mineira. O levantamento, realizado de 22 a 26 de julho com 1.482 eleitores, põe Cleitinho na liderança isolada em todos os cenários de primeiro turno em que seu nome aparece, com até 35% das intenções de voto, além de vantagem confortável em todas as simulações de segundo turno. O desempenho chegou a alimentar a hipótese de vitória já na primeira etapa da eleição.
Horas depois da divulgação dos números, o senador publicou nas redes sociais um vídeo produzido com inteligência artificial em que versões digitais de seu pai e de seu irmão falecidos o incentivam a “seguir em frente” e “fazer o que tem que ser feito”.
Enquanto Cleitinho mantinha o suspense sobre seu futuro, o Republicanos decidiu reorganizar sua estratégia. A legenda oficializou apoio ao ex-secretário de Governo de Minas Marcelo Aro (PP), em reunião que contou com a participação de Marcos Pereira e do candidato do PL à Presidência, Flávio Bolsonaro. A definição também encerra um período de expectativa do PL, que aguardava a decisão de Cleitinho para montar seu palanque no Estado.
É nesse espaço que Aro tenta avançar. Com influência sobre o PP mineiro, Aro articula um acordo com Republicanos e PL para reunir a direita em torno de seu nome. A aposta é oferecer ao bolsonarismo uma candidatura com estrutura partidária e capacidade de costurar alianças.
A crise também expõe o funcionamento errático do núcleo ligado a Cleitinho. Aliados dizem que as decisões ficam concentradas em Cleitinho e em seus irmãos, sem uma estrutura capaz de organizar versões ou antecipar seus movimentos. Nem mesmo pessoas próximas sabiam, com segurança, se ele seria candidato.
O Republicanos afirma ter perdido a paciência com as sucessivas idas e vindas. Cleitinho havia prometido uma definição, mas os adiamentos passaram a travar negociações com outras legendas. Sua ausência na convenção estadual foi tratada pela direção como o limite.
Para o senador, porém, o rompimento pode alimentar um discurso já conhecido. Em vez de assumir o desgaste de uma desistência, Cleitinho poderá se apresentar como um outsider impedido de disputar uma eleição em que lidera as pesquisas.
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