Esporte

Fifa é alvo de críticas após proposta de abertura para investimentos privados

As reações foram lideradas pela Europa, mas vieram também de outras partes do mundo

Fifa é alvo de críticas após proposta de abertura para investimentos privados
Fifa é alvo de críticas após proposta de abertura para investimentos privados
O presidente da Fifa, Gianni Infantino, em 6 de dezembro de 2025. Foto: Roberto Schmidt/AFP
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Um dia após anunciar seu projeto para atrair investidores privados através da criação de uma empresa, a Fifa recebeu inúmeras críticas políticas e esportivas nesta quarta-feira 29, lideradas pela Uefa e pela União Europeia.

A entidade máxima do futebol pretende criar a empresa Fifa Forward Enterprise (FFE), com a qual quer gerir suas atividades comerciais, pretendendo acumular uma receita de 10 bilhões de dólares (51,2 bilhões de reais).

“A Fifa manteria o controle exclusivo da FFE por meio de representação majoritária no conselho de administração”, assim como a “autoridade exclusiva” sobre a governança do futebol, competições, calendário e decisões relacionadas a regulamentos, afirmou a instituição.

“Não toquem no nosso esporte”, respondeu a União Europeia nesta quarta-feira através do comissário europeu Glenn Micallef, que afirmou no X que “a comercialização desenfreada do futebol se tornou nociva” e que o projeto “ameaça o que faz do futebol o esporte mais popular do mundo”.

“Estas propostas levantam questões importantes sobre o direito de concorrência”, acrescentou, detalhando que “dentro das competências atribuídas aos tratados, a Comissão Europeia examinará estas propostas com atenção”.

A crítica respalda o posicionamento da Uefa feito na terça-feira, afirmando que viu neste projeto “uma linha que as instituições que governam o futebol nunca deveriam cruzar”.

‘Ataque absoluto contra o futebol’

A ministra dos Esportes da França, Marina Ferrari, confirmou na terça-feira, no X, que as instituições do futebol europeu vão se reunir com urgência nesta quarta para abordar o projeto que encontrou forte oposição nas federações europeias.

A Federação Inglesa (FA) se declarou “profundamente preocupada”, enquanto a alemã (DFB) considerou que ele representa “um ataque absoluto contra o futebol”.

Também houve reações vindas das Américas e da Ásia. A Confederação de Futebol da América do Norte, Central e Caribe (Concacaf) e a Asiática (AFC) lamentaram que o projeto tenha sido divulgado antes mesmo de os membros da Fifa terem sido avisados.

A FFE deve gerar 4,2 bilhões de dólares (21,5 bilhões de reais) somente neste ano, e “todos os lucros líquidos serão reinvestidos no futebol”, afirma a Fifa, prometendo aos seus membros benefícios econômicos por meio de um novo mecanismo de financiamento: o Programa Fifa Fast Forward (FFFP).

Para concretizar este projeto, que ainda precisa ser aprovado pelo Conselho da entidade máxima do futebol, a instituição explica que está trabalhando com o banco J.P. Morgan e o fundo de investimento Thrive Eternal, fundado por Joshua Kushner, irmão de Jared, genro do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump.

Segundo o jornal britânico The Times, o presidente da entidade, Gianni Infantino, que tem demonstrado regularmente sua proximidade ao mandatário norte-americano, poderia se tornar diretor-geral da FFE, multiplicando seus ganhos pessoais.

O mesmo veículo informou que o próprio dirigente ofereceu 40 milhões de dólares (204,7 milhões de reais) às federações que aderirem a esta proposta antes de 19 de setembro.

O anúncio está alinhado ao objetivo de Infantino de “liberar o potencial comercial” da Fifa.

Nesta mesma estratégia se enquadram planos como o aumento do número de seleções participantes na Copa do Mundo para 64, algo que, segundo a Uefa, acrescentaria partidas “sem interesse”.

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