Mundo

Polícia mata suspeito de atentado em Parada LGBTQ+ de Berlim

Homem era acusado de matar uma pessoa e ferir outras 29 ao avançar com um carro contra participantes do evento. Ele tinha tentado se juntar ao ‘Estado Islâmico’ e já havia sido preso

Polícia mata suspeito de atentado em Parada LGBTQ+ de Berlim
Polícia mata suspeito de atentado em Parada LGBTQ+ de Berlim
Van da polícia forense perto do local de ataque a uma marcha LGBT+ em Berlim, executado em 25 de julho de 2026. Foto: John MacDougall/AFP
Apoie Siga-nos no

O suspeito de cometer um atentado durante a Parada do Orgulho LGBTQIA+ em Berlim foi morto neste domingo 26 durante uma operação policial, informou a Secretaria de Interior do Senado da capital alemã.

A polícia realizava uma intensa busca por Abdul B., de 21 anos, suspeito de ter lançado deliberadamente um veículo contra participantes do evento e, em seguida, atacado pessoas com um facão antes de fugir.

O homem morreu durante uma operação em Spandau, distrito na zona oeste de Berlim. Segundo a Promotoria da cidade, a ação ocorreu em um terreno de jardins comunitários. A corporação afirmou que o homem “correu em direção” aos agentes com uma arma branca, “o que levou ao uso de arma de fogo” pelos policiais.

Testemunhas relataram a presença de um grande contingente de policiais fortemente armados, com coletes à prova de bala e capacetes. Após o confronto, equipes de emergência tentaram reanimar o suspeito no local, mas sem sucesso. As autoridades informaram que as diligências continuavam em andamento e não divulgaram mais detalhes sobre possíveis prisões.

Ataque matou um e feriu 29 pessoas

O ataque com um veículo durante a Parada LGBT matou uma mulher e feriu ao menos 29 pessoas. Segundo a polícia, o suspeito estava no volante da van que invadiu uma área do Tiergarten, parque no centro da capital alemã, atropelando uma multidão que participava do evento.

Após perder o controle do veículo e bater em uma árvore, o suspeito ainda atacou outras pessoas com um facão. O ministro do Interior da Alemanha, Alexander Dobrindt (CSU), classificou o ato como um “ataque terrorista islâmico”. 

O autor do atentado fugiu, mas a polícia e a Procuradoria de Berlim publicaram suas informações para auxiliar nas buscas. “O homem é conhecido da polícia e faz parte da cena islâmica de Berlim”, disse um porta-voz da corporação.

De acordo com informações das emissoras NDR e WDR e do jornal Süddeutsche Zeitung, Abdul B., cidadão alemão cuja família é libanesa, tentou viajar para a Síria para se juntar ao “Estado Islâmico”. Ele havia sido detido no Aeroporto Internacional de Berlim (BER) no final de 2025, ao retornar do Líbano.

Ele permaneceu em prisão preventiva até maio de 2026 sob suspeita de preparar um crime terrorista, acrescentaram as fontes, mas estava em liberdade condicional enquanto a Justiça analisava um recurso do Ministério Público alemão que pedia o aumento de sua pena. Nesse período, participava de um programa de desradicalização.

As autoridades ainda investigam se há outros envolvidos no ataque. Segundo a emissora rbb, outro suspeito foi preso na noite de sábado. Entre sábado e domingo, policiais fortemente armados fizeram buscas em estações de metrô e apartamentos da capital alemã, inclusive onde vivia Abdul B – a poucos minutos do local do crime.

Segundo o tabloide Bild, autoridades dos países vizinhos – Holanda, Bélgica, Luxemburgo, França, Áustria, Suíça, República Tcheca, Polônia e Dinamarca – foram alertadas. Uma repórter do jornal Berliner Zeitung, que estava em um trem de alta velocidade entre Berlim e Munique, também contou que o veículo foi alvo de buscas por policiais fortemente armados.

Incidente ocorre próximo à Parada LGBTQ+

No sábado, milhares de pessoas participaram da marcha do Orgulho LGBTQ+, conhecida na Alemanha como Christopher Street Day (CSD), um dos maiores eventos do tipo na Europa. A celebração acontecia de forma pacífica, com cerca de 80 carros de som cruzando as ruas da cidade.

A passeata terminava na Rua 17 de Junho, que atravessa o parque Tiergarten até o Portão de Brandemburgo. O incidente ocorreu no local da dispersão, quando o show ainda estavam em andamento.

Uma testemunha afirmou, à agência France-Press (AFP), que um veículo saiu da Lennéstrasse em alta velocidade e invadiu o Tiergarten, atropelando várias pessoas.

Uma mulher morreu no local. Segundo o Corpo de Bombeiros, das vítimas que sobreviveram, há pelo menos três em estado crítico e oito gravemente feridos.

O evento foi encerrado abruptamente e a polícia orientou os participantes a deixarem o local. Os telões do palco foram trocados por avisos de “evacuação”. Mais de 2 mil agentes foram mobilizados. A marcha do Orgulho LGBTQ+, que deveria continuar no domingo 26, foi cancelada, mas uma multidão se concentrou na Pariser Platz, próximo ao Portão de Brandemburgo, em um ato de solidariedade às vítimas.

O prefeito de Berlim, Kai Wegner, que esteve no local, classificou o episódio como “um ataque à nossa sociedade livre e aberta”.

“Depois de uma CSD pacífica e colorida, a manifestação em defesa de uma Berlim tolerante e pacífica foi alvo de um ataque da forma mais brutal. Berlim é a cidade da liberdade, e nossa liberdade foi atacada da maneira mais terrível hoje”, escreveu Wegner na rede X.

O chanceler federal alemão, Friedrich Merz, também condenou o que chamou de “ato horrível”. Em comunicado, Merz afirmou que ele e o ministro do Interior, Alexander Dobrindt, garantirão que o caso seja “plenamente investigado e punido”.

No domingo, o Bundestag (Parlamento Federal Alemão) amanheceu com as bandeiras a meio-mastro, em solidariedade às vítimas do atentado no CSD.

Histórico de atropelamentos

A Alemanha registrou uma série de ataques ocorridos em feiras de Natal, eventos ou zonas de pedestres nos últimos anos – incluindo atropelamentos em massa em Munique, em 2025, Magdeburg, em 2024, Trier, em 2020, e Berlim, em 2016, que deixaram quase 30 mortos.

O tema foi amplamente debatido durante a campanha que precedeu as eleições parlamentares. Ao final de 2025, autoridades municipais se viram obrigadas a reforçar as medidas de segurança nas mais de 3 mil feiras de Natal ao longo do país, criando barreiras que para impedir o tráfego de veículos.

De acordo com Rafael Bossong, pesquisador do Instituto Alemão de Assuntos Internacionais e de Segurança (SWP), grupos islamistas descobriram uma “estratégia bem-sucedida” nos ataques com atropelamentos em grandes eventos por toda a Europa.

Bossong alertou à DW que há mais de 9 mil radicais islâmicos com aparentes tendências violentas na Alemanha. Segundo ele, embora as autoridades estejam melhorando o monitoramento e neutralização de ameaças, o ataque em Berlim parece ter sido perpetrado por “uma figura secundária, com antecedentes criminais, mas sem afiliação clara [ao terrorismo islâmico] e sem indícios claros na internet de que estivesse se preparando para atacar”.

Questionado sobre como o suspeito conseguiu entrar de carro no Tiergarten, em Berlim, com tanta facilidade, apesar das barreiras instaladas, Bossong disse:

“Depende da hora e do local. Neste caso, o Tiergarten é uma área ampla, a cerimônia estava chegando ao fim, então talvez as restrições de trânsito tivessem sido flexibilizadas”, acrescentou.

ENTENDA MAIS SOBRE: , , ,

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo

Apoie o jornalismo que chama as coisas pelo nome

Muita gente esqueceu o que escreveu, disse ou defendeu. Nós não. O compromisso de CartaCapital com os princípios do bom jornalismo permanece o mesmo.

O combate à desigualdade nos importa. A denúncia das injustiças importa. Importa uma democracia digna do nome. Importa o apego à verdade factual e a honestidade.

Estamos aqui, há mais de 30 anos, porque nos importamos. Como nossos fiéis leitores, CartaCapital segue atenta.

Se o bom jornalismo também importa para você, nos ajude a seguir lutando. Assine a edição semanal de CartaCapital ou contribua com o quanto puder.

Quero apoiar

Leia também

Jornalismo crítico e inteligente. Todos os dias, no seu e-mail

Assine nossa newsletter

Assine nossa newsletter e receba um boletim matinal exclusivo