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Milei nos envergonha e faz palhaçada para apoiar candidato de Trump no Brasil, diz governador de Buenos Aires

Axel Kicillof chamou de ‘errada’ e ‘arriscada’ a postura do ultraliberal: ‘Quer ser o garoto-propaganda de Trump e Netanyahu’

Milei nos envergonha e faz palhaçada para apoiar candidato de Trump no Brasil, diz governador de Buenos Aires
Milei nos envergonha e faz palhaçada para apoiar candidato de Trump no Brasil, diz governador de Buenos Aires
O governador da província de Buenos Aires, Axel Kicillof. Foto: Juan Mabromata/AFP
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Governador da província de Buenos Aires e potencial candidato peronista à Presidência da Argentina em 2027, Axel Kicillof criticou o presidente Javier Milei por ofender o presidente Lula (PT) durante viagem ao Brasil. No sábado 25, o ultraliberal participou em São Paulo da convenção nacional do PL, evento que oficializou a candidatura de Flávio Bolsonaro ao Palácio do Planalto.

Kicillof afirmou, em nota, ter assistido ao discurso de Milei com “profunda vergonha” e disse que o adversário atingiu o povo brasileiro.

Milei nos envergonha ao insultar e atacar por razões ideológicas. Ele não entende o papel que desempenha. Pior ainda, quer se tornar o ‘garoto-propaganda’ de Trump e Netanyahu, atacando e agredindo todos aqueles que se opõem à extrema-direita internacional”, reagiu.

Kicillof declarou ter procurado o chanceler Mauro Vieira, em nome de seu Partido Justicialista, e reforçado que Milei não falou em nome dos argentinos.

“O que Milei faz não é apenas imprudente, mas errado e arriscado”, prosseguiu o governador. Ele enfatizou que o Brasil é o principal parceiro comercial da Argentina e que o presidente coloca em risco empregos, investimentos e interesses de seu povo ao fazer “palhaçadas” apenas para “apoiar um candidato por ordem de Trump”.

Uma pesquisa publicada pelo jornal argentino Perfil na última quinta-feira 23 indica um cenário equilibrado para a eleição presidencial de 2027. O peronismo aparece com 25% das intenções de voto, ante 24% do partido A Liberdade Avança, de Milei. Os indecisos, porém, somam 22% no levantamento, conduzido entre 3 e 8 de julho pela Universidade de San Andrés. A margem de erro é de 3,15 pontos percentuais.

No recorte sobre a imagem de líderes políticos, a ministra da Segurança, Patricia Bullrich, marcou 36% de avaliações positivas, seguida por Axel (34% ), Milei ( 33% ) e a deputada Myriam Bregman (33%). A sondagem indicou, no entanto, que os 24 líderes avaliados registraram saldo negativo de imagem.

A reação do governo brasileiro

O Itamaraty convocou para consultas o embaixador brasileiro na Argentina, Julio Bitelli. A pasta informou a CartaCapital que o diplomata deve chegar ao Brasil até a madrugada desta segunda-feira 27 e que a medida resulta das ofensas proferidas por Milei no evento do PL.

Na diplomacia, a convocação de um embaixador expressa descontentamento com determinado episódio e ilustra a tensão entre governos.

Na convenção do PL, Milei atacou Lula e insultou o ministro do Supremo Tribunal Federal Alexandre de Moraes — a quem se referiu como “lixo careca” — por não autorizá-lo a visitar o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que cumpre em sua casa em Brasília a pena de 27 anos de prisão por liderar a tentativa de golpe de Estado.

O presidente do STF, Edson Fachin, reagiu e afirmou se tratar de “referência desrespeitosa a magistrado da mais alta Corte do País, feita em solo brasileiro, por ato jurisdicional praticado conforme a Constituição e as leis da República Federativa do Brasil”.

Antes de assumir a Embaixada do Brasil em Buenos Aires no terceiro governo Lula — após servir na embaixada entre 2003 e 2006 e entre 2010 e 2013 —, Bitelli serviu na Missão junto às Nações Unidas em Nova York (1991-1994) e nas embaixadas em Montevidéu (1994-1996), Washington (1999-2003) e La Paz (2007-2009). Também foi embaixador na Tunísia (2013-2015), em Bogotá (2016-2019) e em Rabat (2019-2023).

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