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Polícia busca suspeito de ataque mortal perto da Marcha do Orgulho em Berlim
O chanceler Friedrich Merz pediu para ‘esclarecer completamente’ o incidente e disse que se tratou de um ‘ato abominável’
A polícia da Alemanha está à procura, neste domingo 26, do principal suspeito de um ataque deliberado contra pedestres perto da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ de Berlim, que deixou um morto e 16 feridos.
O suspeito
Segundo a polícia, há indícios de que o suspeito, um alemão de 21 anos identificado como Abdul B., agiu motivado por ideologia islamista e pode estar armado e ser perigoso.
Ele é descrito como magro, com cerca de 1,90 metro de altura, cabelo preto e vestia um moletom preto com capuz e calças brancas.
De acordo com os veículos de imprensa Der Spiegel e Bild, Abdul B. tentou se juntar ao grupo jihadista Estado Islâmicona Síria em 2025, mas foi preso no Líbano.
Ele já havia sido condenado na Alemanha em outro caso por “preparar um grave ato de violência subversiva”, acrescentaram.
A polícia foi mobilizada para um prédio localizado a um quilômetro do local do ataque, conforme observou um fotógrafo da AFP. Segundo o Bild, era lá que o suspeito morava.
O incidente, ocorrido na noite de sábado, interrompeu o que seria um dia de celebração para as centenas de milhares de pessoas que participavam de um dos maiores eventos do Orgulho LGBTQIA+ da Europa.
O ataque
Pouco antes das 22h (17h em Brasília) de sábado, um veículo branco atropelou várias pessoas na extremidade sul do Parque Tiergarten, no centro de Berlim, antes de colidir com uma árvore.
A polícia explicou que “uma ou mais” pessoas abandonaram o veículo e fugiram do local. Também foi relatado que várias pessoas sofreram ferimentos com faca.
Um porta-voz do corpo de bombeiros indicou que uma pessoa morreu e 16 ficaram feridas. Três delas estão em estado grave.
O ataque ocorreu a algumas centenas de metros do final do percurso da Marcha do Orgulho LGBTQIA+ e do palco principal no Portão de Brandemburgo, em Berlim.
O veículo, descrito pela polícia como uma “van pequena ou SUV”, ainda estava no local neste domingo, visivelmente danificado pelo impacto com a árvore. Policiais vasculhavam a área em busca de pistas.
Pouco depois do ataque, as festividades foram canceladas e os participantes foram orientados a deixar a área.
Apesar das buscas no parque com helicópteros equipados com câmeras de detecção térmica, a polícia não conseguiu localizar o suspeito imediatamente após o incidente.
A polícia fez um apelo público para obter informações sobre o paradeiro do suspeito e divulgou uma foto.
As reações
Nas redes sociais, membros da comunidade LGBTQIA+ de Berlim indicaram que uma vigília será realizada neste domingo, às 14h (horário local), em frente ao Portão de Brandemburgo, para que as pessoas possam homenagear as vítimas do ataque.
Armin Duenhoelter, um artista drag de 49 anos, estava atrás do palco principal quando as comemorações foram interrompidas.
Na manhã deste domingo, ele ainda estava “em choque”, disse à AFP, embora, dados os atos violentos dos últimos anos, soubesse que a Marcha do Orgulho “poderia eventualmente se tornar um alvo”.
O prefeito de Berlim, Kai Wegner, condenou um ataque “da maneira mais brutal” contra “uma manifestação por uma Berlim tolerante e pacífica”.
O chefe do governo, chanceler Friedrich Merz, prometeu levar à justiça os responsáveis por este “ato abominável”.
A presidente da Comissão Europeia, a alemã Ursula von der Leyen, afirmou que o Orgulho de Berlim “representa a liberdade, a dignidade e a igualdade de direitos, valores fundadores da UE”.
“Todas as pessoas deveriam poder viver sem medo, amar e defender os seus direitos”, disse.
Os antecedentes
O ataque de sábado lembra uma série de incidentes semelhantes nos últimos anos que reacenderam o debate sobre imigração, já que vários dos autores eram de origem estrangeira.
Martin Hess, congressista pelo partido de extrema-direita Alternativa para a Alemanha (AfD), afirmou que o ataque foi resultado de “um completo fracasso das políticas de segurança do governo”.
“O islamismo é a maior ameaça à segurança do nosso país”, declarou.
O ataque mais mortal dos últimos anos foi um atropelamento massivo em um mercado de Natal em Berlim, em dezembro de 2016, perpetrado por um tunisiano, que matou 13 pessoas.
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