Economia
O impacto de nova tarifa mexicana sobre exportações brasileiras, segundo a CNI
A entidade estima que a taxa pode atingir 665 milhões de dólares em vendas
As exportações brasileiras atingidas por uma taxa imposta desde janeiro pelo governo do México caíram 42,5% no primeiro semestre em comparação com o mesmo período dos três anos anteriores, o equivalente a 91,5 milhões de dólares. O balanço é da Confederação Nacional da Indústria.
O México elevou o imposto de importação de 1.463 códigos tarifários, com taxas que — em determinados casos — passam de 50%, segundo a CNI. A entidade calcula que o Brasil passou a ser o quinto país mais afetado pela medida, considerando as economias que não têm um acordo de livre comércio com os mexicanos.
A Confederação estima que a taxa pode impactar 665 milhões de dólares em exportações brasileiras. Diante desse quadro, defendeu isentar os produtos brasileiros da nova tarifa e avançar em um acordo de livre comércio entre os dois países — o que poderia acrescentar 13,8 bilhões de dólares ao PIB conjunto, 3,2 bilhões de dólares ao comércio bilateral e 8 bilhões de dólares em investimento.
Conforme a análise da CNI, dos 171 produtos brasileiros atingidos pela tarifa que foram exportados para o México, 113 apresentaram uma queda no desempenho de vendas. O recuo se concentrou nos seguintes setores:
- veículos automotores: 51,8%
- produtos de borracha e material plástico: 9,1%
- metalurgia: 8%
- couros e calçados: 7,4%
- químicos: 5,9%
- celulose e papel: 5,8%
- máquinas e equipamentos: 5,6%
Entenda
As tarifas impostas pelo México à importação de vários produtos de China, Brasil e outros países com os quais não tem um tratado comercial entraram em vigor em 1º de janeiro deste ano.
O Congresso mexicano aprovou os encargos aduaneiros em dezembro, ao fim de um ano marcado pela guerra comercial iniciada pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. Analistas viram a iniciativa como um alinhamento com os norte-americanos.
As tarifas se voltaram a diversos produtos dos setores de calçados, automotivo, têxtil e de brinquedos, entre outros, indústrias com importante presença de importações chinesas.
Em um comunicado difundido em 30 de dezembro, o Ministério da Economia mexicano afirmou que a medida “não está voltada para nenhum país em particular”.
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