Mundo
Flávio Bolsonaro repete Trump até nas mentiras sobre eleições
Com poucos dias de intervalo, ambos requentaram teorias da conspiração sobre interferência nas urnas
Pré-candidato do PL à Presidência, o senador Flávio Bolsonaro não esperou sequer o início da campanha eleitoral para dar vazão à artilharia da extrema-direita brasileira contra o sistema eletrônico de votação: recorreu, nesta terça-feira 21, a alegações sobre as urnas já desmentidas pelo Tribunal Superior Eleitoral. Cinco dias antes, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, já havia requentado mentiras sobre sua derrota para Joe Biden em 2020.
Flávio mencionou um relatório da CIA a sugerir que a empresa venezuelana Smartmatic estaria envolvida em um plano de fraude eleitoral do governo chavista. “Não vou entrar em mais detalhes, mas só para deixar registrado que muitas dessas máquinas que são utilizadas nas eleições brasileiras são da mesma empresa”, disse o filho de Jair Bolsonaro. O TSE, porém, já reafirmou em diversas ocasiões que a companhia não fornece urnas ou softwares usados no Brasil.
Em 16 de julho, em um discurso transmitido em horário nobre na televisão, Trump acusou a China de interferência em 2020 e repetiu alegações infundadas sobre suposta irregularidade em seu revés para Biden. Na ocasião, também citou indiretamente a Smartmatic: disse que as eleições da Venezuela foram fraudadas sob o governo de Nicolás Maduro e sinalizou que as máquinas de votação nos Estados Unidos seriam vulneráveis a manipulações semelhantes.
Não se trata de uma novidade: esses comentários apenas reativam teorias da conspiração disseminadas por trumpistas há seis anos, segundo as quais existiria um complô venezuelano para alterar votos norte-americanos por meio da Smartmatic.
A tecnologia da empresa foi usada em um único condado norte-americano, sem disputa relevante em 2020. Nos anos seguintes, a Smartmatic obteve acordos judiciais e vitórias em ações por difamação.
Documentos da CIA divulgados pela própria Casa Branca reconhecem que nem a Smartmatic nem o governo venezuelano tinham capacidade para “manipular de forma previsível o resultado de uma eleição fora da Venezuela”.
Em uma decisão do ano passado em prol da Smartmatic no âmbito de uma ação contra um famoso negacionista eleitoral dos Estados Unidos, o juiz Jeffrey M. Bryan foi taxativo: é “matematicamente impossível” que os dispositivos da empresa tenham alterado os resultados de 2020.
“As únicas provas nos autos do processo judicial relativas ao envolvimento da Smartmatic em eleições em outros países demonstram que a Smartmatic nunca fraudou nenhuma eleição e que sua tecnologia nunca foi usada para manipular votos”, concluiu o magistrado.
As negativas, no entanto, não aplacam a circulação de fake news sobre as eleições nos Estados Unidos, “teorias” agora pinçadas por Flávio para, a exemplo de seu pai, manter à espreita o fantasma da dúvida sobre a lisura do pleito brasileiro.
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