Política

A 4 dias de convenção, Flávio Bolsonaro não tem vice nem partidos na chapa

Pré-candidato do PL chega à convenção nacional sem fechar alianças para a disputa presidencial e mantém indefinida a composição da chapa

A 4 dias de convenção, Flávio Bolsonaro não tem vice nem partidos na chapa
A 4 dias de convenção, Flávio Bolsonaro não tem vice nem partidos na chapa
O senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Foto: Pedro França/Agência Senado
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Eleições 2026

Faltando quatro dias para a convenção nacional do PL, marcada para sábado 25, em São Paulo, o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) ainda não definiu quem vai concorrer a vice-presidente em sua chapa nem conseguiu consolidar uma coligação para a disputa ao Palácio do Planalto. A expectativa da campanha é manter as negociações abertas até o prazo final das convenções partidárias, em 5 de agosto. 

O principal obstáculo está nas tratativas com legendas do Centrão. A federação formada por União Brasil e PP caminha para declarar neutralidade na eleição presidencial, enquanto o Republicanos, hoje considerado o principal interlocutor do PL, mantém as conversas, mas também sinaliza preferência por não apoiar nenhum candidato nacional

Na segunda-feira 20, durante a convenção estadual da federação União-PP em São Paulo, Flávio tentou se aproximar das siglas. Embora os diretórios paulistas tenham declarado apoio ao senador e ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos), os presidentes nacionais das três legendas – Antonio Rueda (União Brasil), Ciro Nogueira (PP) e Marcos Pereira (Republicanos) – não participaram do evento, evidenciando a distância entre as direções partidárias e a pré-campanha do filho de Jair Bolsonaro. 

Mesmo sem acordo, o PL ainda aposta em uma composição com o Republicanos. As negociações passam por entendimentos em disputas estaduais e pela possibilidade de a legenda indicar a vice da chapa presidencial. Nos bastidores, porém, dirigentes do partido apontam dificuldades para um entendimento nacional e cobram maior convergência nas alianças regionais. 

A indefinição também tem impacto na campanha. Sem uma coligação formada, o tempo de propaganda de Flávio Bolsonaro no rádio e na televisão tende a ficar abaixo do do presidente Lula (PT). Pelas projeções atuais, Lula teria pouco mais de cinco minutos por bloco no horário eleitoral, enquanto o senador do PL contaria com cerca de quatro minutos, uma diferença próxima de um quarto do tempo disponível. Outros presidenciáveis, como Ronaldo Caiado (PSD) e Augusto Cury (Avante), teriam espaços ainda menores.

Além da dificuldade para atrair aliados, Flávio também não deve apresentar o nome do (ou da) vice durante a convenção do partido. A coordenação da campanha avalia que a definição depende diretamente do desfecho das negociações e pretende utilizar todo o período permitido pela Justiça Eleitoral para concluir a composição da chapa. 

As mulheres de Flávio

A principal aposta de Flávio Bolsonaro continua sendo a economista Daniella Marques, ex-presidente da Caixa Econômica Federal e filiada ao Republicanos. Ela coordenou propostas da pré-campanha, ganhou protagonismo no projeto “Brasil por Elas” e é a preferência do senador, mas enfrenta resistência tanto no próprio Republicanos quanto dentro do PL, onde dirigentes questionam seu potencial eleitoral.

Outro nome considerado é o da senadora Tereza Cristina (PP-MS), que foi ministra da Agricultura no governo de Jair Bolsonaro. Ela é vista por parte da direção do PL como a opção com maior peso político, mas resiste à possibilidade de integrar a chapa e mantém como prioridade a disputa pela presidência do Senado em 2027. Interlocutores dizem que a chance de Tereza ser vice de Flávio é próxima de zero.

Também chegaram a ser avaliadas pela pré-campanha a deputada Simone Marquetto (PP-SP), a deputada Clarissa Tércio (PP-PE), além das deputadas do PL Júlia Zanatta (SC) e Bia Kicis (DF), que passaram a ser mencionadas nas discussões internas como alternativas caso as negociações com outros partidos não avancem.

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