Economia

Os 2 cenários projetados pelo governo Lula para o novo tarifaço de Trump

O Planalto trabalha com uma sobretaxa de 25% como hipótese mais provável, mas vê adiamento por pressão de Flávio Bolsonaro como tentativa de interferência política na eleição

Os 2 cenários projetados pelo governo Lula para o novo tarifaço de Trump
Os 2 cenários projetados pelo governo Lula para o novo tarifaço de Trump
Os presidentes dos Estados Unidos e do Brasil, Donald Trump e Lula. Foto: Daniel Torok/Casa Branca
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O governo Lula (PT) trabalha com dois cenários para a decisão dos Estados Unidos sobre a proposta de impor um novo tarifaço de 25% sobre parte das exportações brasileiras. A recomendação final do Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR) deve ser concluída até 15 de julho, mas a palavra final caberá ao presidente Donald Trump.

A avaliação no Palácio do Planalto é que a adoção da sobretaxa continua a ser o desfecho mais provável. Nesse cenário, a estratégia do governo será negociar a ampliação da lista de produtos isentos das novas tarifas. Integrantes do governo, no entanto, afirmam ainda não ter recebido qualquer indicação oficial sobre quais setores, empresas ou mercadorias seriam atingidos pela medida, o que dificulta a preparação de uma resposta específica.

Um segundo cenário considerado pelo governo é o adiamento da decisão para depois das eleições presidenciais brasileiras de outubro. A hipótese ganhou força depois que o senador e pré-candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) defendeu, durante audiência pública em Washington, que a aplicação das tarifas fosse suspensa para abrir espaço a negociações entre os dois países.

No governo, porém, a leitura é diferente. Integrantes do Planalto avaliam que um adiamento motivado pelo pedido de Flávio comprometeria a credibilidade da própria investigação conduzida pelo USTR e reforçaria a percepção de interferência americana no processo eleitoral brasileiro. A avaliação é que existe no governo dos Estados Unidos um grupo de perfil mais ideológico com influência sobre a condução do caso.

Por outro lado, o governo vê de forma distinta a possibilidade de um adiamento decorrente do avanço das negociações diplomáticas. Nesse caso, a interpretação seria de que as conversas entre Brasília e Washington produziram resultados concretos e abriram caminho para um acordo considerado promissor.

Independentemente do desfecho, a reação do governo deverá continuar a ser de contestação à investigação comercial norte-americana. O entendimento é que a proposta de sobretaxa não encontra justificativa econômica, já que os Estados Unidos mantêm um superávit na balança comercial com o Brasil. Também há críticas aos demais fundamentos da investigação, que questiona políticas brasileiras relacionadas ao comércio digital, ao Pix, à propriedade intelectual, ao combate à corrupção, ao mercado de etanol e ao desmatamento ilegal.

Interlocutores do governo também afirmam que os argumentos apresentados pelo Brasil durante a fase pública da investigação não foram devidamente considerados. Nas audiências promovidas pelo USTR nesta semana, representantes de empresas, associações e entidades dos dois países defenderam suas posições antes da decisão final. Segundo o governo, dos 85 participantes inscritos para falar, 63 se manifestaram contra a imposição das tarifas.

Apesar da expectativa de um desfecho desfavorável, integrantes do governo afirmam que a orientação do presidente Lula continua a ser a de manter as negociações até o último momento. A avaliação é que o uso de tarifas integra a política comercial norte-americana, mas que, no caso brasileiro, a disputa ultrapassou o campo econômico e passou a incorporar um forte componente político. Para o governo, desde o primeiro pacote de medidas anunciado em 2025, a pressão exercida por Washington esteve relacionada também às disputas envolvendo o governo petista e o Supremo Tribunal Federal.

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