Economia
A mobilização de entidades empresariais dos EUA e do Brasil contra o tarifaço de Trump
Amcham Brasil, CNI e Câmara de Comércio dos EUA pedem que governos negociem solução e defendem ampliar cooperação
Três das mais importantes entidades empresariais do Brasil e dos Estados Unidos enviaram uma carta conjunta aos governos dos dois países propondo uma agenda de negociação para evitar a imposição de um novo tarifaço. O documento, assinado pela Câmara Americana de Comércio para o Brasil (Amcham Brasil), pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) e pela U.S. Chamber of Commerce, foi encaminhado aos ministros Mauro Vieira e Márcio Elias Rosa, pelo lado brasileiro, e ao representante comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, e ao secretário de Estado, Marco Rubio, pelo lado norte-americano.
A iniciativa ocorre na reta final da investigação conduzida pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos (USTR), que mira práticas comerciais consideradas prejudiciais aos interesses americanos. A decisão do governo Donald Trump sobre a adoção ou não da sobretaxa de 25% é esperada para 15 de julho.
Na carta, as entidades afirmam receber “com satisfação a intensificação do diálogo bilateral” após a reunião entre Lula (PT) e Trump, em maio, e dizem que a retomada das negociações representa “uma oportunidade importante para fortalecer uma das mais relevantes e complementares relações econômicas das Américas”.
Como prioridade imediata, os signatários pedem que Brasil e Estados Unidos cheguem a “entendimentos concretos no curto prazo” para solucionar a investigação aberta com base na Seção 301 e evitar a aplicação das tarifas. Segundo o documento, os governos devem buscar uma “solução negociada” em vez da adoção de novas barreiras comerciais.
As entidades propõem que as negociações comecem por temas diretamente relacionados ao comércio bilateral. Entre as sugestões estão ampliar o acesso a mercados para insumos industriais, bens de capital e produtos ligados à segurança energética, data centers e inteligência artificial; aprofundar a cooperação regulatória nos setores automotivo, farmacêutico, de saúde animal e dispositivos médicos; apoiar a prorrogação da moratória da Organização Mundial do Comércio sobre tarifas incidentes em transmissões eletrônicas; acelerar a análise de patentes e reduzir o estoque de pedidos no Brasil; ampliar a cooperação em minerais críticos; e implementar integralmente o Protocolo Anticorrupção do Acordo sobre Comércio e Cooperação Econômica.
Em uma segunda etapa, o documento defende ampliar o escopo das negociações para incluir temas como segurança energética, cadeias produtivas, comércio eletrônico, economia digital, inovação, descarbonização industrial, transportes, agricultura e produtos farmacêuticos. Para as entidades, uma estratégia dividida em duas fases é “o caminho mais pragmático” para fortalecer a cooperação econômica entre os países.
Ao defender a negociação como alternativa ao conflito comercial, as três entidades afirmam que “o avanço desses temas por meio da negociação, em vez da imposição de tarifas, tende a produzir resultados mais duradouros e evitar efeitos indesejados para empresas, trabalhadores e consumidores dos dois países”. Também deixam as organizações empresariais à disposição para colaborar na construção de soluções consideradas “práticas e mutuamente benéficas”.
A investigação do USTR questiona políticas brasileiras relacionadas a comércio digital e Pix, propriedade intelectual, combate à corrupção, acesso ao mercado de etanol, tarifas preferenciais e desmatamento ilegal. Ao longo desta semana, representantes da indústria, do agronegócio e de associações empresariais dos dois países participaram de audiências públicas em Washington para defender seus pontos de vista antes da decisão final do governo americano.
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