CartaCapital
Rio de Janeiro/ Lavanderia bilionária
Pré-candidato ao Senado em chapa de Flávio Bolsonaro é preso pela PF
O ex-prefeito de Belford Roxo, presidente do diretório estadual do União Brasil no Rio de Janeiro e pré-candidato ao Senado na chapa de Flávio Bolsonaro, Márcio Canella foi preso em flagrante pela Polícia Federal, na terça-feira 7, por posse ilegal de arma de fogo de uso restrito. Agentes da PF encontraram um fuzil .556 no carro do político, enquanto cumpriam um mandado de busca e apreensão na sexta fase da Operação Unha e Carne, deflagrada para desarticular uma organização criminosa que usava uma rede de postos de combustíveis como plataforma de lavagem de dinheiro e que, segundo a corporação, contaria com a participação de agentes públicos.
As diligências foram autorizadas pelo Supremo Tribunal Federal. Além de Canella, os investigadores realizaram buscas em endereços ligados ao delegado Marcus Amim, ex-secretário estadual de Polícia Civil. Outro alvo foi o ex-PM Juracy Alves Prudêncio, o Jura, citado no relatório final da CPI das Milícias da Assembleia Legislativa do Rio (Alerj), de novembro de 2008, como chefe de um grupo paramilitar que atuava em Nova Iguaçu, na Baixada Fluminense. Segundo um relatório de inteligência do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf) encaminhado à PF, o esquema teria movimentado mais de 7,6 bilhões de reais nos últimos seis anos.
Meio século de servidão
Uma trabalhadora doméstica em condições análogas à escravidão foi resgatada por uma equipe do Ministério do Trabalho e Emprego em uma casa de alto padrão em Eusébio, na região metropolitana de Fortaleza. A vítima, hoje com 62 anos, trabalhava desde os 7 em regime de servidão para a mesma família, sem receber salário. Aos auditores fiscais, a empregadora afirmou que a menina “foi dada pela mãe”. O resgate, realizado em um imóvel do condomínio Terras Alphaville, ocorreu em junho, mas só foi divulgado na primeira semana de julho. A identidade dos patrões não foi revelada. Eles firmaram um Termo de Ajuste de Conduta com o Ministério Público do Trabalho, no qual se comprometeram a pagar 50 mil reais em verbas rescisórias, regularizar os recolhimentos previdenciários de todo o período de exploração e adquirir um imóvel para a vítima.
Judiciário/ No reino dos penduricalhos
Tribunais terão de explicar pagamentos acima do limite fixado pelo STF
Dino ameaçou aplicar punições a quem descumprir a norma – Imagem: Rosinei Coutinho/STF
Os ministros Alexandre de Moraes, Cristiano Zanin, Flávio Dino e Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, determinaram, na segunda-feira 6, que os presidentes de sete Tribunais de Justiça apresentem, no prazo de 48 horas, informações detalhadas sobre pagamentos de verbas remuneratórias e indenizatórias a magistrados. Os despachos, de teor praticamente idêntico, foram encaminhados aos TJs do Distrito Federal, Goiás, Maranhão, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte e Rondônia.
A decisão ocorre após reportagens apontarem que essas Cortes teriam autorizado pagamentos acima do limite fixado pelo STF para os chamados “penduricalhos”. Em março, o Supremo determinou que essas verbas rescisórias não ultrapassem 70% do teto do funcionalismo. A remuneração total não poderia superar, portanto, 78 mil reais. Os ministros exigiram o envio das folhas de pagamento dos últimos quatro meses. “A configuração de qualquer tipo de descumprimento às determinações do STF, quanto aos limites estabelecidos, poderá ensejar afastamento do cargo e promoção da responsabilidade penal, civil e disciplinar”, advertiu Dino.
EUA/ “Liberdade de expressão”
Sob a proteção de Trump, supremacistas brancos marcham em Washington
O grupo defende um Estado voltado apenas aos descendentes de europeus – Imagem: Zach D. Roberts/NurPhoto/AFP
Mascarados e uniformizados, centenas de supremacistas brancos, convocados pela milícia Patriot Front, marcharam por Washington no último sábado, 4 de julho, durante as comemorações dos 250 anos da Independência dos EUA. No lugar das túnicas brancas e dos chapéus pontudos, a versão moderna da Ku Klux Klan adota um visual mais parecido com o dos black blocs: bonés, óculos escuros e balaclavas para evitar a identificação. A cautela mostrou-se, porém, desnecessária. De acordo com o secretário do Interior dos EUA, Doug Burgum, a manifestação racista e xenofóbica estava “protegida pela liberdade de expressão”.
Sob o manto protetor do governo Trump, cerca de 400 manifestantes percorreram ruas nos arredores do Capitólio empunhando bandeiras dos EUA – algumas delas de cabeça para baixo – e flâmulas dos confederados, que lutaram pela manutenção da escravidão nos estados do Sul durante a Guerra de Secessão (1861–1865). Oriunda da cisão de um grupo neonazista do Texas, a organização prega o nacionalismo branco e a criação de um Estado voltado exclusivamente aos descendentes de europeus. “Reconquistem a América”, bradaram os supremacistas, que contam com o amparo do MAGA, o movimento de sustentação de Trump.
Cessar-fogo rompido
O presidente dos EUA anunciou, na quarta-feira 8, a retomada da ofensiva contra o Irã. “É uma perda de tempo lidar com eles”, afirmou Trump, antes de ameaçar “atacá-los com força esta noite”. Nas últimas semanas, os dois países trocaram diversas agressões. Após acusar o regime iraniano de atacar três navios comerciais no Estreito de Ormuz, uma das principais rotas marítimas para o escoamento do petróleo produzido no Golfo Pérsico, forças norte-americanas bombardearam alvos no sul do país. Em retaliação, Teerã lançou ataques contra bases militares mantidas por Washington no Bahrein e no Kuwait. Eleito com a promessa de “acabar com as guerras”, Trump estimava que a campanha militar no Oriente Médio duraria de quatro a cinco semanas. O conflito, no entanto, já se arrasta há mais de quatro meses.
Oriente Médio/ Israel fará sua parte?
O Hamas abdica de governar Gaza e cobra avanço em plano de paz
Tel-Aviv exige o desarmamento do grupo antes de dar um novo passo – Imagem: Omar Al-Qattaa/AFP
O grupo palestino Hamas anunciou, na segunda-feira 6, que pretende passar a administração da Faixa de Gaza, sob seu comando há 20 anos, para um governo civil e tecnocrático. Trata-se de uma das etapas do plano de paz firmado com Israel, sob a mediação do presidente dos EUA, Donald Trump.
A iniciativa aumenta a pressão para que Tel-Aviv cumpra a sua parte no acordo, como a retirada de tropas e transferência do controle territorial de Gaza para uma força internacional de segurança, enquanto o Hamas depõe suas armas, mas o governo israelense sinaliza que pode retardar o processo.
De acordo com o ministro das Relações Exteriores de Tel-Aviv, Gideon Saar, o anúncio é um “truque” do grupo palestino para evitar desarmamento, conforme previsto no plano de paz. “Enquanto o Hamas mantiver suas armas, qualquer governo civil, naturalmente, atuará de acordo com suas determinações”, escreveu o chanceler em um post na rede social X.
Publicado na edição n° 1421 de CartaCapital, em 15 de julho de 2026.
Este texto aparece na edição impressa de CartaCapital sob o título ‘A Semana’
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